Precisamos Conversar…

Eu queria encontrar uma pessoa (ou várias) que tivesse lido “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, pra passar horas discutindo… achei um livraço, dos melhores que eu li ultimamente, e fico imaginando o trabalho que deu pra escritora. E nem tanto por compor um personagem como o Kevin, uma pessoa completamente “endemonioada”, e sim, a mãe dele, narradora do livro (na verdade, o livro é composto de cartas que ela escreve para o marido, pai do Kevin). 

O que o Kevin faz, um massacre numa escola americana? Sim, isso é a cereja do bolo, mas ao longo da vida, ele atormenta a vida da mãe de tal maneira que nos faz pensar em algumas coisas, como por exemplo, provocar a retirada do globo ocular da irmãzinha porque acidentalmente jogou ácido de desentupir pia no rosto dela… 

Pra começo de conversa, a mãe dá a entender que ele “nasceu” assim – fato que vai sendo minimizado ao longo do livro, onde quase involuntariamente, ela assume algumas “culpas”. Porém, me impressionou o relato dela do nascimento, que ele pareceu fazer uma careta de nojo ao ir pro colo dela e se recusou, terminantemente, a pegar o peito dela. Ela relata até expressões e esgares dele, um bebê com dias de vida, já tendo “sentimentos”. 

Será que existe isso? Criança que já nasce “ruim”? Meu pai costumava ter algumas implicâncias com algumas crianças muito pequenas, e a bem da verdade, até onde eu pude acompanhar, ele estava correto com o que ele achava/previa. Com ele, não funcionava aquela coisa de “ah, é só uma criança”… 

Daí que um amigo me falou uma coisa que fez algum sentido apesar de… bom, quem me conhece sabe que eu já transitei por quase todas as religiões, a única que eu nunca quis me envolver, nem de longe, foi o Espiritismo. Por favor, não me chame de ignorate, eu continuo respeitando o seu direito de acreditar nisso, eu só não quero me envolver. Porém, o que o meu amigo falou, infelizmente, a despeito das minhas crenças, fez sentido:

“- Eu acredito nisso de reencarnação, e tem espírito ruim, mas ruim de verdade! E aí, falam aquela coisa de que vai voltar pra se purificar, pra melhorar e ele já nasce falando que não quer se purificar, quer continuar sendo ruim…”

Faz sentido. Ainda que ao longo do filme, algumas coisas expliquem melhor alguns porquês do Kevin ser como ele é… e é muito foda ver a consequência de uma mãe que não queria ser mãe, não tem aptidão pra ser mãe e nunca quis sequer ter essas aptidões. Junte a isso um pai disposto a compensar algumas coisas e uma criança “espírito ruim”. Livro que perturba, muito! 

E que me faz agradecer o fato de que, se algum dia o Duda se tornar algo que eu não gostaria, a culpa terá sido totalmente minha e da Laura!

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