Esperam que eu minta…

A pessoa me pergunta se eu acho que o Corinthians vai ser campeão brasileiro. E pelo simples fato de eu ser Palmeirense, ela espera que eu minta? Sim, eu acho. Aliás, desde o dia 10 de outubro, quando escrevi um post nesse sentido, eu acho isso, que foi reforçado depois de todos os resultados de ontem. O negócio é que o Corinthians vai disputar o campeonato pau a pau com o Vasco até a última rodada, e o Vasco, sem Eurico…

Vencer o Avaí estava na conta, claro. Apesar de que, com o 1×0 contra, eu estava com uma gracinha pronta, algo como “Perdedores do Avaí e seu novo hit: eu presto atenção quando eles jogam mas eles não ganham nada, yeah yeah”. Seria genial, mas o Avaí é o Avaí, e isso significa ser a segunda força do futebol catarinense (sendo generoso, porque até o Criciúma já ganhou título nacional), portanto… foda é ter que ouvir de um corintiano, um dia antes, que o Felipão tá errado ao dispensar o Lincoln que tá arrebentando no Avaí. Temos noções diferentes do que seria ARREBENTAR, mas reconheço que lá em Santa Catarina ele apresentou alguma melhora, nem que seja simplesmente parar de atuar na meia direita do Departamento Médico, mas ainda assim, continua o mesmo “armandinho” de sempre. Aliás, pra não perder o gancho dos Perdedores do Avaí: “Eu presto atenção no tal do Lincoln, mas ele não joga nada, yeah yeah!”

Era também previsto que o Vaishco empatasse com o São Paulo, porém, no meio do caminho teve uma rodada pela Sul Americana, onde o São Paulo foi eliminado e perdeu Luís Fabiano e Dagoberto para o jogo contra o Vasco, juntando-se a Dagoberto como desfalque. Sem falar na vitória épica do Vasco contra o Aurora, que não é nada, não é nada, é muita coisa, até porque, ainda que o Aurora seja uma baba, outras babas jogaram contra nossos poderosíssimos times e ninguém meteu 8! Vinha forte pro jogo, apesar do desfalque do Diego Souza. Mas aí, um goleiro reserva que nunca vai jogar faz dois verdadeiros milagres, Felipe e Juninho Pernambucano precisam deixar a partida e o jogo termina em 0x0. O Timão agradece e segue sua senda de vitórias apertadas contra times horríveis, mas que no fim das contas, encaminha o caneco pra casa, que é o que verdadeiramente importa!

O Palmeiras é um caso a parte. Não ganha, não agride, não amedronta, ninguém respeita. E só sendo muito limitado intelectualmente pra botar a culpa no Felipão, com esse bando de vagabundo no time. No sábado, falamos sobre o Carlos Kaiser, aquele jogador que passou a carreira toda assinando contratos sem jogar em lugar nenhum, inventando contusões e recebendo luvas, enfim, uma história bizarra e de certa maneira, até mesmo exagerada, pois se você olhar o Valdívia (ou do Roger, da Débora Secco), ele é um super Carlos Kaiser muito bem assessorado, que de vez em quando joga umas partidinhas. Pra que serve o Valdívia? Valdívia, Lincoln, Kléber, é muito vagabundo junto, tem nem como dar certo! E a culpa é do Felipão?

Eu já disse e volto a dizer: no Corinthians, Flamengo, Fluminense ou Vasco, o Felipão só precisaria desinfetar e sentar no banco pra ser campeão com um pé nas costas, mas isso não vem ao caso. Assim como não vem ao caso o fato de Santos, Internacional e Fluminense, melhores times do campeonato, por circunstâncias alheias, estejam fora da disputa, seria um campeonato muito mais interessante. E ainda assim poderia ser vencido pelo Corinthians, registre-se. Mas teria sido mais bacana.

Vai ser um título justo? Pouco importa, título é título e o Corinthians vai ganhar.

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Paulovanzolinando de novo!

Sabe Ronda? Aquela música da mulher maluca, que ronda a cidade a te procurar sem te encontrar? E que a partir do “Hei de encontrar” é tudo noia da cabeça dela, os dadinhos, o bilhar e sobretudo, mas muito principalmente, o “bebendo com outras mulheres”. Gosto demais dessa música! Muito! De um tempo pré celular, em que um cara saía do trampo e sabe Deus onde andaria até chegar em casa depois das 11 a fim de rolo. Meu pai, verbi gratia.

Essa música é do Paulo Vanzolini, biológo brilhante e compositor de pelo menos três obras primas: a já citada “Ronda”, “Amor de Trapo e Farrapo” e “Volta Por Cima”. Que verso maravilhoso e redentor: “Reconhece a queda, não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…”

Quem não me segue no Facebook não sabe o que aconteceu com a gente… que a Laura tá grávida todo mundo sabe? Então, ela tá grávida e todo o nosso plano mirabolante de conquistar o mundo a partir da minha aprovação como Juiz do Trabalho tinha que passar, necessariamente, pelo meu afastamento, ao menos temporário, das funções laborativas e provedoras do lar. Sim, larguei um cargo de Direitor Jurídico de uma empresa e fui “só estudar”. Pra isso, estávamos amparados no trabalho dela, firme como uma rocha, era o que nos levava a crer, afinal, todo o arcabouço teórico do plano foi traçado em cima disso. E tínhamos lá nossos motivos para achar que o trampo dela era sólido: agenda costumeiramente cheia, currículo impecável, ela assumiu os cursos de Pilates que eram do dono da clínica, enfim, parecia que ela era a Pop Star da parada toda, com o agravante que vez ou outra ainda vai traduzir uns cursos internacionais da empresa mais pica das galáxias que existe, tocávamos a vida.

Tudo ia muito bem, quando, coisa de quase um ano atrás, o dono da clínica chamou a Laura e fez uma proposta: iria vagar uma sala e ele queria fazer um outro stúdio de Pilates e perguntou se ela não gostaria de investir. Se ela comprasse os aparelhos, que custavam 9 mil reais, sua percentagem mudaria de 40/60 para 60/40 e, se outra pessoa utilizasse os aparelhos, uma vez que ela só trabalharia de tarde, receberia ainda 20% daquela sessão. Fizemos contas, só isso. O dinheiro aplicado dava “x” por mês, 9 mil transformados em aparelhos, naquelas condições, daria mais do que “x”, era um bom negócio. E o dono da Clínica, doravante chamado de Dartivêiderson para fins de tornar o post mais pitoresco, ainda acelerou a Laura, dizendo que precisava dos aparelhos logo, pra sala não ficar ociosa.

Infelizmente, aparelhos de Pilates não são como sacos de batata, onde você compra e leva pra casa no mesmo dia, houve aí uma demora de cerca de 20 dias a um mês para a entrega. Quando chegaram os aparelhos, Dartivêiderson já havia ocupado a sala com outra fisio fazendo uma outra coisa que não vem ao caso. Os aparelhos foram para um depósito e Dartivêiderson não tinha tempo de falar para a Laura o que iria ser feito. O tempo foi passando, surgiram propostas das mais risíveis às mais indecorosas, como reforma na Clínica de Dartivêiderson e Dona Jabbathehutt, com os custos rateados entre os fisioterapeutas empregados. Sim, pausa para seu espanto/risada.

A Laura queria saber o que seria de seus aparelhos comprados, pagos e sem utilização. Nada de Dartivêiderson responder, pois é um homem muito ocupado, cheio de afazeres que não permitem que perca tempo com detalhes irrisórios quer sejam, honrar sua palavra, ou de forma mais chula, o pau pequeno, fino e desvascularizado que tem no meio das pernas. Até que um dia, a Laura descobriu que num salão havia sido montado dois studios de pilates, mas qual não foi sua surpresa ao descobrir que os aparelhos de um desses studios eram exatamente os DELA! Ela tentava falar com Dartivêiderson e nada, ele nunca tinha tempo. Tentou falar com a esposa deste, em tese “responsável” pelo financeiro, patadas e grosseria, Dona Jabbathehutt. Perguntou porque estavam sendo utilizados os aparelhos dela e, nesse caso, por que ela não estava recebendo 20% daquela utlização. Dona Jabbathehutt estranhou, falou que ela tinha que conversar com Dartivêiderson e a Laura disse que Dartivêiderson nunca tinha tempo e assim, em loop eterno, Laura já sentindo a desagradável sensação de ser passada pra trás, mas insistiu, insistiu, insistiu…

Até que Dartivêiderson arrumou tempo para falar com a Laura. Na verdade, arrumou tempo para gritar, ou segunda a Laura disse, BERRAR com ela. Que quem ela estava achando que ela era, que ELE era o Dono da Clínica, que aquilo tudo era DELE, que quem determinava quem utilizava qual aparelho na clínica DELE era ELE, caudilho supremo e soberano daquilo tudo, e que se se ela estava achando que iria ganhar alguma porcentagem na clínica DELE sem trabalhar, podia tirar o cavalinho da chuva. E que se ela não estivesse satisfeita, que poderia muito bem tirar os aparelhos dela de lá. Confesso que nos pareceu tentadora essa oferta, pois existe uma nova tendência de decoração e alguns aparelhos de Pilates ficariam super bonitos na nossa sala, sem falar na ergonomia da coisa toda, mas o que mais me chamou atenção foi o conceito Neo-Marxista Pós-Keynesiano da Escolha de Chicago Todo que Dartivêiderson tem acerca da Propriedade Privada. Sim, a Clínica é dele, mas e os aparelhos? Usucapião, talvez? O que fazer? Ah claro, tirar os aparelhos de lá implicaria em magoar sentimentos e ferir suscetibilidades, e talvez o futuro da Laura pudesse estar comprometido, daí que, com o cu na mão e com a boca de feijão, nos calamos ao meio dia e deixamos o barco correr.

Até que, talvez num surto de consciência, Dartivêderson procurou a Laura pra conversar e disse que iria fazer uma reforma na Estrela da Morte, quer dizer, Clínica, e que provavelmente usaria os aparelhos dela. E que se ela concordasse, usaria os aparelhos e mudaria a porcentagem para 50/50, sem os 20% quando outros utilizassem. E nem deixou o KY assim, à mostra, pra sugerir que não ia doer muito, saca? A Laura disse que não tinha sido isso o que eles haviam combinado, Dartivêiderson disse que as coisas mudaram. A Laura perguntou se ele achava isso certo, Dartivêiderson disse que não fazia a menor diferença se aquilo era certo ou não, o que importava é que seria assim. A Laura falou que não concordava, ele falou que então ela podia tirar os aparelhos de lá, ela falou que então tudo bem, que ia caçar jeito de vender, já engolindo um prejuízo aí de ter comprado um negócio, não utilizado e vendendo por um preço depreciado.

Dois dias depois, Dartivêiderson aparentemente foi acometido por outro surto de bom senso, pois procurou a Laura e disse que ira comprar os aparelhos dela, afinal de contas, tinha a obrigação MORAL de fazê-lo, pois ela só havia comprado os aparelhos em função da proposta que não rolou, porém, falou pra ela cotar e depreciar, afinal de contas, os aparelhos estavam usados. Quer dizer… bom, deixa pra lá, acertaram então a depreciação em 15%, a Laura fez a cotação e passou o preço. Doravante, o tempo de Dartivêiderson novamente se tornou escasso, não conseguindo sequer alguns poucos segundos para preencher um cheque e entregar à Laura, postergando o ato prosaico do pagamento, até que a Laura viajou e me avisou que era para eu ligar lá na Estrela da Morte, quer dizer, Clínica, apenas para pegar o cheque.

Eu liguei, nada de cheque. Liguei de novo. E de novo. E de novo. Respeitando a vida atribulada de Dartivêiderson, avisei à Laura que não tinha rolado o pagamento, que assim que ela chegasse, acertasse isso com o cara. A Laura chegou de viagem e foi chamada à sala por Dona Jabbathehutt, onde ocorreu o seguinte diálogo, precedido por um tapão na mesa de Dona Jabba, que aos berros:

– Quem mandou você depreciar os equipamentos em 15%, quem você tá pensando que é? Tá achando que a gente é trouxa? A depreciação de coisa usada é de no mínimo 20%!

– Por que não é o Dartivêiderson que tá tratando disso comigo?

– Porque ele não tem tempo e porque quem cuida de dinheiro aqui na Estrela da Morte sou eu, e eu tou casada de só a gente tomar!

– Vocês? Se tem uma pessoa que só tomou nessa história toda fui EU, que gastei 9 mil reais em aparelho que não usei e agora tou vendendo por 7 e você ainda quer diminuir mais?

– Sim, porque é no mínimo 20% mais barato, é assim ou eu compro no BNDES parcelado em 800 vezes!

– Mas o Dartivêiderson falou que tinha obrigação moral de comprar esses aparelhos…

– MORAL???? (Berros uma oitava acima, talvez em virtude de não saber o significado do vocábulo) Que conversa é essa de Moral, nessa conversa de moral só a gente que toma, e o passado?

– Que passado?

– Até hoje eu tenho um e-mail do seu marido insultando o Dartivêiderson por causa da Compra da Primeira Estrela da Morte*.

* Parêntese necessário: em 2003, Dartivêiderson era sócio de uma clínica + academia, retirou-se e ofereceu à Laura que comprasse sua parte. Deu seu preço e justificou o porquê daquele preço, com base em faturamento mais bla bla bla, tudo isso podendo ser apurado mediante auditoria e análise, que o pai da Laura achou desnecessário e ainda disse que advogado costumava estragar algumas negociações. Eu concordo, advogado costuma estragar negociações, principalmente algumas que envolvem passar os outros pra trás, como era aquela. Mas quando eu digo “passar pra trás”, é um “passar pra trás” inocente, várzea, kichute com cadarço amarrado na canela, quase no bom sentido. Meramente negócios e tale coisa. Você tenta o aplique e torce pra colar, naquele caso, colou. A Estrela Morte I era uma roubada e o preço pelo qual ele vendeu era absurdo, mas enfim, cada um que corra atrás da sua melhora. O que eu fiz? Mandei um e-mail para Dartivêiderson com termos pouco corteses e sugestões pouco amistosas, acho que tinha acabado de ver Kill Bill e o jeito da Uma Thurman resolver suas pendências de macacão amarelos me pareciam bem eficazes, daí que Dartivêiderson mandou um amigo meu que é advogado me ligar, dizendo que estava assustado, mas nos chamou pra conversar e fez lá um novo “acerto”. Que não se aproximava do valor do aplique, mas amenizava e sei lá, o deixava mais em paz com a consciência.

Sim, a relação era tensa, mas o tempo passou, surgiu a chance de voltar pra Sorocaba, a Laura foi conversar com ele, acertaram o emprego e um dia, no Clube, chamei o Darti pra conversar e pedi desculpas. Repetidas vezes. Se ele pedisse pra eu pedir de joelhos, eu pediria, pois o meu e-mail, ainda que eficaz, foi desagradável e imbecil. E Dartivêiderson me disse que fez aquele pagamento suplementar apenas para que ficasse claro para as pessoas que ele não era aquilo que eu havia colocado no e-mail. Tudo bem. Acho que sim, pois no velório do pai da Laura a Dona Jabba virou a cara pra mim, mas depois passou a conversar normal comigo, foi no aniversário do Duda e tudo, achei que esse assunto estava superado.

Ledo e Ivo engano, segue o papo:

– Você quer desenterrar então tudo o que aconteceu na época da negociação da Primeira Estrela da Morte, então vamos desenterrar?

– Não, não quero nada, chega dessa conversa.

Dona Jabba abriu a porta para a Laura, a conversa terminou por ali e de noite, Dartivêiderson achou por bem gritar mais um pouco com a Laura, e essa parte aí de gritar com mulher dos outros eu acho complicado, principalmente porque ele tem pouco mais um metro e meio de altura e enfim, hoje em dia as pessoas não tem mais o Direito Constitucional de portar armas… de posse da versão de Dona Jabba, Dartivêiderson isultou e humilhou a Laura, dizendo que ela não sabia onde era o seu lugar e que não tinha o direito de ter discutido com Dona Jabba, principalmente vir desenterrar histórias da Primeira Estrela da Morte. A Laura deu a versão dela, reclamou que ele é quem deveria vir conversar com ela sobre a negociação dos aparelhos e Dartivêiderson disse que iria então conversar com Dona Jabba.

No dia seguinte, entregou à Laura uma notificação de rescisão contratual, que no caso de quem faz gambiarra semi-jurídica pra não registrar os funcionários, equivale à demissão. Disse que não tinha mais clima para a Laura trabalhar lá, que o ego dela era muito grande, que ela precisava aprender com a vida a engolir sapos e que como era uma excelente profissional, tinha certeza que ela iria viver uma história muito bonita lá fora, empreendendo o próprio negócio e alçando vôos mais altos.

A Laura voltou pra casa, grávida e demitida. E com um plano de saúde empresarial, ou seja… Eu liguei para o Darti, me humilhando e perguntando como ficaria a situação do Plano de Saúde, e ele, gaguejando como de costume, disse para eu ficar tr tr tr tranquilo qu qu qu que até o bbbbbbebê nasce, ele ia manter o pl pl pl plano de saúde. Ok. No dia seguinte, a Laura foi pegar o cheque dos aparelhos e a informaram que ela deveria buscar num escritório de advocacia, onde uma advogada contou que Dartivêiderson mudou de ideia, que não quer mais demiti-la, que na verdade, ele nunca a demitiu, e que a Laura deveria aceitar esse arrependimento de Dartivêiderson Magnânimo, pois se não aceitasse, perderia o Plano de Saúde e ela não poderia entregar o cheque dos aparelhos, e aí contou alguns casos meio escabrosos de partos no SUS e não sei vocês, mas fiquei com a impressão que essa “doutora” tentou chantagear e coagir a Laura, mas só vou saber depois que eu for lá conversar pessoalmente com ela, até pra saber se devo representá-la na OAB e denunciá-la no Ministério Público do Trabalho.

No fim das contas, mais uma vez o Dartivêiderson apenas se deu bem em uma negociação casual, pois comprou por 7 mil uns equipamentos que custam 9. Lucrou 2 paus. Sim, teve que demitir uma funcionária grávida e deve estar com o cu na mão por isso, mas eu o tranquilizo, não vamos à Justiça do Trabalho. Nunca fiz isso, não vai ser dessa vez que farei. Ele vai ter que ir aos sábados e domingos dar o curso de Pilates, mas tem o lado bom, pois a agenda da Laura estava lotada e a dele, não. Tinha 3 Unidades da Estrela da Morte e agora só tem uma, foi uma forma interessante de reorganizar as coisas.

Porém, aquela preocupação que ele tinha quando da negociação da Primeira Estrela da Morte, dessa vez não vai dar pra aliviar. As pessoas vão pensar dele e da mulher dele exatamente o que eles são: pessoas que demitem uma empregada GRÁVIDA, sem mais nem menos. O resto é besteira, a gente passa por cima ouvindo um sambinha do Paulo Vanzolini:

“Reconhece a queda, não desanima. Levanta, sacode a poeira arquiteta planos malignos de vingança e dá a volta por cima…”


REM, House, Stone Roses e o fim.

Eu ia dar a esse post o título “A Hora Certa de Parar”, mas hoje em dia, só isso já não basta. E podemos incluir o Schumacher nessa história antes de falar dos Stone Roses, pois também é importante saber que, depois que parou, tem que tomar muito cuidado com a tentação de “voltar”. Ontem mesmo, vi uma entrevista com o Piquet em que ele fala para o Reginaldo Leme que o acidente horrível que sofreu na Indy foi a melhor coisa que poderia ter acontecido naquele momento, porque sem a menor condição física de sequer tentar pensar em voltar, precisou ir cuidar da vida, daí que acabou sendo bem sucedido como empresário de sei lá o quê (na verdade eu sei, mas é irrelevante).

Claro, o Emerson voltou e foi campeão da Fórmula Indy e o Michael Jordan voltou pra ganhar mais alguns títulos na NBA, mas o próprio Jordan, que pra mim é o maior atleta de todos os tempos (Pelé incluso, sim senhor), sentiu o peso da idade na segunda tentativa, no Washington Esqueci o Nome do Time Insignificante. E aí a gente chega na “volta” do Pelé pelo Cosmos, que mais ou menos se aproxima do tema do post (se é que realmente prentende ter um)…

Muitas pessoas me mandaram mensagem sobre a volta dos Stone Roses. Talvez pela republicação do meu “não-Mojo Book”, ou pela minha afirmação de que o primeiro disco dos Stone Roses é o melhor disco de todos os tempos, mas o fato é que eu não sou assim tão fã dos Stone Roses. Quer dizer, eu sou absolutamente fã daquele primeiro disco, num nível absurdo, mas da banda, simplesmente não me interesso nem um pouco. Acho que nunca nem ouvi uma música da carreira solo do Ian Brown, por isso, esse papo da volta da banda não me anima nada. Na verdade, me dá até um certo asco, principalmente depois de ver a notícia vinculando essa volta ao divórcio do Ian Brown e toda essa coisa sórdida de grana, grana e grana. Nada contra o direito do cara ganhar a grana dele, acho legítimo pra caralho, só não conte comigo. Deixa a minha memória afetiva quietinha no lugar dela, ali por 1989/90/91, quando eu descobri os Stone Roses e queria ver essa banda ao vivo, mas imagina naquela época esse tipo de coisa acontecer? Não aconteceu, claro. Nem com eles, nem com os Smiths, nem com tantos outros. E pronto, a banda acabou. Quer dizer, gravou mais um disco legalzinho e acabou.

A – CA – BOU!

Pelé parou de jogar em 74, oficialmente, depois foi dar uma de foquinha amestrada no Cosmos, não fez meio mas também não foi o Pelé. Satisfez a necessidade momentânea de certas pessoas botarem no currículo “vi o Pelé jogar ao vivo” (coisa que eu também fiz), ganhou um bom troco, e beleza. Mas desculpa, isso aí no Rock and Roll não me pega. Sim, indústria, business, gravadoras, etc… mas eu posso simplesmente não querer fazer parte. O Stone Roses acabou, fez um primeiro disco maravilhoso e acabou. Quando eu disse que o pessoal ia ver o Paul McCartney numa tentativa de resgatar a magia dos Beatles e comparei isso a ir ver o Dedé Santana num Stand Up pra resgatar a magia dos Trapalhões, acho que fui preciso e brilhante. Eu não vou ver o Ian Brown caquético correndo atrás da graninha da pensão alimentícia e pronto!

E sabe que eu achava até digno o lance deles terem parado e ter feito o disco perfeito e nada mais. Problema nenhum. Quem dera The OC e Californication tivessem seguido o exemplo. Porque foram perfeitos na primeira temporada, sensacionais! E depois, foi só piorando até acabar… quer dizer, Californication constrangedoramente ainda continua, mas deveria ter parado na primeira. Ao contrário de Friends, que se não parou no auge, parou ainda com lenha pra queimar. E deixou saudade. A minha segunda série favorita – House – eu já não sei… acabei de ver a Sétima Temporada e o capítulo final me deixou meio intrigado com relação à continuidade, mas por outro lado, fiquei feliz com a conclusão que fica: O House é um maluco escroto de merda. “Ah, grande novidade”, direis, mas quem nunca achou o House massa, que atire o primeiro comentário com xingamentos! Eu mesmo, por algumas vezes, cheguei a achar legal algumas escrotidões dele, o que me fez lembrar de ocasiões em que no meu emprego antigo, achava massa algumas escrotidões do big boss… o House ficou numa posição meio indefensável, mas que sirva de lição para todo mundo que gosta de conviver com malucos escrotos de merda, que um dia, inevitavelmente, ele vai fazer A GRANDE MERDA!

E aí, meu agradecimento ao REM, que acabou. Apesar de ainda fazer bons discos, mas será que basta? Vale a pena continuar, se você não consegue fazer de cada disco um “Automatic For The People”? Vale a pena conviver com esses mesmos caras, durante tanto tempo? Pra gente, que gosta tanto dessa PUTA banda, é meio chato, mas honestamente, prefiro que façam isso, do que ficar enrolando e lançando discos meia boca (o que ainda não fizeram, registre-se!), ou “dando uma pausa por tempo indeterminado”. Eu tenho muito a agradacer, desde a primeira vez que ouvi “Losing My Religion” pela primeira vez ou quando seus acordes pareciam produzir corrente elétrica no Rock in Rio, ou as tantas e tantas vezes em que ouço a minha favorita “Man on the Moon”. Só espero que eles não voltem daqui a 15 anos…


Carta Aberta ao Meu Amigo Edu

E demais membros do Neo Corintianismo. Que, no caso, é uma nova vertente do Corintianismo que a gente já conhece, só que, como em todos os casos de desdobramento religioso, um pouco mais fanático e trilhando o caminho do obscurantismo, manipulação maliciosa de fatos e otras cositas más. Tem-se notícia que o Neo Corintianismo surgiu com o advento do jogador que agrega valor, substituindo o jogador que joga bola. Ronaldo é o exemplo basilar dessa nova era, pois fez um semestre de 4 meses (perdão pela licença poética) muito bom, e ficou durante um ano e meio apenas agregando valor sem jogar futebol, mediante um régio salário. E um dos argumentos dos Neo Corintianistas era de que esse dinheiro não saía do bolso do Corinthians, e a partir daí, assuntos extracampo começaram a habitar a seara das discussões futebolísticas, saindo de cena os aspectos “campo & bola” para se exaltar: quantidade que se recebe de patrocínio; estádio roubado; quantidade de torcida; quantidade de torcida no Facebook; valor de patrocínio na camisa, em cotas de TV, em sunda de lutador de vale tudo e por aí vai, e vai se encontrar com o São Paulo no fim das paralelas, pode escrever!

Porém, nada disso me diria respeito, não fosse uma outra prática do Neo Corintianismo, abjeta, maliciosa e mentirosa (além de estrategicamente burra), de apequenar o seu maior rival, chamando-o, dentre outras coisas, de “Portuguesinha da Barra Funda”. Todo o respeito à Lusa, time que não tem que provar a ninguém o seu tamanho, mas essa história de dizer que eles são grandões e nós, pequenininhos, merece uma resposta adequada, então vamos lá:

Edu, vocês tem retrospecto favorável contra o São Paulo e até contra o Santos, time que ficaram 11 anos sem vencer, mas ainda assim, vocês ganharam mais que eles na história. Mas de nós, não, Edu. Nosso retrospecto sobre vocês é favorável, portanto, cuidado. Cuidado, pois em 97 anos de intensa e sadia rivalidade, sabe quantas vezes vocês nos venceram em uma final de campeonato? Chuta… uma única vez, aquele maldito chute do Elivelton em 95, e só! Eu não sei quantas finais nós ganhamos de vocês, pra ser honesto, mas sei que foi mais do que uma, pois puxando pela memória, lembro de um Brasileiro vencido em cima de vocês, com direito a olé, além daquela final em 74 em que calamos o Morumbi com um gol de Ronaldo e vocês amargaram mais um aninho na fila…

Falando em fila, tá aqui uma coisa em que vocês nos superam: sua fila foi maior, foram 22anos sem saber o que é ser campeão, ao passo que a nossa foi de apenas 16. Deve ter sido meio sem graça sair da fila vencendo um timeco como a Ponte Preta, que nunca foi campeã de absolutamente nada, né? Eu digo isso, porque quando saímos da fila, vencemos o nosso grande rival, 4×0 fora o show, alma lavada, que delícia!

Sei que vocês não gostam muito de falar desse assunto, Edu, mas é inevitável: Libertadores. Não adianta ficar blasé ou lançar aqueles clichês que o Bispo Andrés fala na TV e os fieis do Neo Corintianismo começam a repetir, eu sei que vocês se importam muito com títulos. Com Libertadores, então… eu sei porque foi o título mais sensacional que eu vi o meu time ganhar, e sabe o que foi mais gostoso? A vitória nas quartas de final contra o nosso grande rival! Nos pênaltis, que delícia! Com um time inferior tecnicamente, na base da raça que vocês gostam tanto de exaltar, foi maravilhoso! E eu reconheço que vocês mereciam ter uma Libertadores no currículo, até pra tirar aquele asterisco quase invisível do Mundial de vocês, a Libertadores de 2000 é uma espécie de Copa de 82 pra vocês, tinham o melhor time, jogavam bonito, davam espetáculo, mas… tinha o Palmeiras no meio do caminho. Um Palmeiras comandado por aquele que outro dia você ficou fazendo troça, mas sabe que seria o técnico ideal para preencher essa lacuna existencial no Corinthians, sem falar no nosso Santo Goleiro! Edu, não preciso mentir pra você, mas ganhar essa partida em 2000 foi mais gostoso que ganhar em 99, valeu mais que um título (o Paulista de 96, por exemplo)!

Edu, vocês ganharam mais Campeonatos Paulistas que a gente, só isso. Confesso, adoro ganhar um “paulistinha”, mas é pouco pra quem se diz Gigante e chama o outro de Pequenininho, né? Sim, vocês também tem um Mundial que nos falta e até acho que, pelo caminhar das coisas, nunca teremos, mas todos nós sabemos que falta uma Libertadores pra “validar” e assim, vocês deixarem de ser O ÚNICO campeão mundial sem ter um torneio continental na carteira. E eu acho que vocês ainda vão ganhar essa tão sonhada Libertadores que a gente já tem. A gente, o São Paulo, o Santos, até o São Caetano já chegou numa final e vocês não… portanto, pelo menos até ganhar a Libertadores, ou nos superar em títulos nacionais, ou no confronto direto, tudo o que eu peço é um pouco mais de respeito. É bom e conserva os dentes, como a gente dizia nos tempos de moleque, em que as coisas se resolviam de forma muito mais simples!

Fora isso, reconheço que vocês tem mais torcida, mais gente no Facebook, ganham mais dinheiro da Globo, mais patrocínio de camisa e da Nike, mas seja honesto consigo mesmo e responda pra você no espelho: isso tudo é realmente importante? É mais legal que ganhar uma Libertadores? Ou que ser campeão em cima do maior rival?

Pense, e cuidado com a resposta, pois nesse ano, vocês tem essa chance. Não é uma decisão, mas na falta de uma, pode ser aquilo que vocês tanto querem…

Abraço, Edu, e tomara que o Corinthians volte a ser aquilo que eu aprendi a admirar com Sócrates, Casagrande, Biro Biro, Wladimir e Zenon. Gente que jogava bola, não que arrumava patrocínio. Era o Corinthians da Democracia, que ganhou só dois “paulistinhas”, mas até hoje tem residência fixa na memória afetiva de muita gente, até de torcedores do maior rival. Que é um Grande Rival, apesar da nova obsessão Hitleriana de se proclamar “A Raça Ariana” do futebol, desencana disso, bróder, é muito feio!

Abraço,

Randas


Cruzeiro, a Penélope Charmosa

Rodada muito interessante essa de hoje, mas só pelo inusitado dos dois principais postulantes ao título enfrentarem os dois times mineiros na bacia das almas. Sobre o Botafogo, sigo concordando com o que o Andrei diz, parece uma foquinha, que vem, faz uma gracinha e vai embora, ninguém é capaz de levar o Botafogo a sério – a despeito deles terem o jogador mais massa do futebol brasileiro, que no caso, é uruguaio.

Vasco e Galo no estádio dos pênaltis aos 44 do segundo tempo é jogo duro. E acho que vai dar Galo. Simplesmente porque é chegada a hora de ver quem tem garrafa vazia pra vender e é justamente esse o momento em que o Diego Souza pede pro mordomo avisar que ele não está. E é óbvio que o Vasco depende do Diego Souza, qualquer time desprovido de material humano consistente dependeria dele, é um cara que sabe jogar bola e tem sua utilidade, o problema é que não gosta de jeito nenhum de responsabilidade. De chamar o jogo. Dizer que a parada é com ele. Claro, fora Diego Souza ainda tem o fato insofismável de que o time do Galo é ruim de arder as vistas, mas ainda assim, nem que seja pra ficar mais fácil de ver o Cruzeiro na zona do rebaixamento, queria que o Vasco ganhasse.

No outro jogo, o raciocínio poderia até ser parecido, o Corinthians tem muito mais time que o Cruzeiro e o jogo vai estar a feição, pois vai poder se dar ao luxo de jogar no contra ataque. Ma non troppo, porque pode ser que o Cruzeiro se dê por muito satisfeito em levar um pontinho em cima do líder e aí o jogo vira aquela famosa punheta de canhota com o dedão destroncado, que não leva a lugar nenhum. O problema é essa vocação pra Penélope Charmosa que o Cruzeiro tem, que no último momento ainda vai ser salva das garras do Tião Gavião. Nisso, o Cruzeiro lembra muito o São Paulo, aquele time bem morno, que não desperta os picos e vales de paixão, sempre ali na média. Times com obsessão por Libertadores e torcedores um tanto exóticos, os cruzeirenses mais um pouco, com esse lance de ser Flamengo no Rio, aliás…

Em algum outro lugar onde se pratica futebol DE VERDADE ocorre a mesma coisa que aqui, onde um time vai jogar longe de sua cidade e tem quase o mesmo tanto de torcedor que o time local? Tá, os corintianos e flamenguistas devem achar isso lindo, mas eu acho que, a médio longo prazo, indica que o futebol vai acabar. Prova disso é essa merda de Pan. Um lixo de torneio, de nível técnico pior que dos Jogos Abertos do Interior, mas que a brasileirada pachecoide gosta! E sabe por que? Porque no Pan, o Brasil ganha! Não importa se nas Olimpíadas foi preciso encerrar a trasmissão antes da chegada dos Irmãos Carvalho em último lugar porque tava demorando muito, importante é que eles ganharam OURO NO PAN. E toca musiquinha escrota do Senna, filma com a família em Bauru ou São Carlos, mostra a infância difícil correndo descalço no canavial, uma irrelevância atrás da outra! O Brasileiro não tem educação esportiva, só consegue ver algo se tem chance de ganhar, e isso contagia os times de futebol de tal forma, que um dia ainda vai restar Corinthians, Flamengo e uma meia dúzia de teimosos e curiosos pra fazer figuração.

Será que a Penélope Charmosa vai complicar a vida do Corinthians hoje? Só sei o seguinte, assim como profetizei em 2009, deixaram o Flamengo chegar de novo! Agora aguenta…


Post Profético de Um Ano Atrás!

A ausência de torcida nos jogos do Goiás me irrita. Me irrita mais do que me preocupa, mas acho que deve ter a ver com essa queda iminente à Série do Vila Nova (em fase boa, pois quando atravessa períodos de baixa, visita a Série C, onde ocasionalmente é campeão), e causa em todos aquilo que eu identifico como relevante em todo o contexto: a apatia. Acho que os jogadores são apáticos, reflexo de uma torcida apática. Que o Goiás nunca foi um “enchedor de estádio”, ninguém vai discutir, mas ao menos não dava vergonha. Ano passado, até a chegada da Diva Fernandão, o time vinha brigando inclusive pela liderança, com públicos ridículos. O porquê disso? Algumas teorias cretinas a respeito:

1- O Contexto. Simples demais e resume demais, mas não dá pra fugir. Desde preço muito caro a outras opções de diversão, passando pela minha principal reclamação: o estádio. Nada contra o Serra Dourada, disparadamente o lugar que me traz as mais afetivas memórias de Goiânia, mas estrategicamente é ruim. O Goiás não tem público pra estádio de 50 mil pessoas, e quando tem, isso significa praticamente dividir o estádio com o Flamengo ou Corinthians da vez. Manda os jogos na Serrinha, economiza uma grana e qualquer 5 mil que forem (e eu acho que irão mais, pois dá pra baixar o preço) fazem pressão. E como perguntar não ofende, cadê aquele estádio pra 33 mil pessoas que quando eu fui embora de Goiânia tinha maquete e tudo?

2- O Tédio. São 11 anos de Série A, ambicionando, no máximo, uma vaga na Libertadores. Mais nada. E isso num país sem cultura futebolística e com torcedores de raciocínio sãopaulino em sua maioria (só acompanha futebol se o time está ganhando), é a morte! Ir a um jogo de futebol está além, muito além de ganhar ou perder (no caso, o campeonato, tá, pois tem tudo a ver com ganhar aquele jogo, minha semana costuma depender bastante do resultado do domingo), e quando você não percebe isso, vai perdendo o interesse e o time vai perdendo torcida. Eu sempre olhei com um pouco de raiva para aqueles torcedores que só apareciam quando o time esboçava uma boa campanha, pois eu os achava verdadeiros traidores! Claro que falo de um período pretérito, pois eu mesmo abandonei a cultura do estádio de futebol, mas não pelas más campanhas do meu time, e sim, pela impossibilidade logística/ponderação de princípios. Porém, se eu não tivesse saído de Goiânia, tenho quase certeza que teria ido a praticamente todos os jogos do Goiás nesses 11 anos de Série A.

2- A Necessidade de Decisão. Em Goiânia, sempre foi comum, normal e moralmente aceitável, que as pessoas tivessem mais de um time, às vezes um em SP e outro no RJ. Ali pela adolescência, a pessoa optava por um estado e era muito comum, normal e moralmente aceitável alguém dizer que era Goiás e Palmeiras. ERA! Ali por volta de 2004 ou 2005, porém, eu estava conversando numa comunidade do Goiás no Orkut quando de repente alguém me “denunciou”, eu era um MISTO. What a fuck is this? Eu não era SÓ Goiás, eu também era Palmeiras e aparentemente havia um movimento querendo sei lá, banir, destruir, desintegrar ou mandar pra Sibéria quem torcia pro Goiás e outro time, pois aparentemente era ISSO o que impedia a torcida do Goiás de crescer e de ter uma identidade. Olha, ler moleques de 15 a 22 anos questionando a sua… digamos, “esmeraldinidade nagô”, se dizendo mais Goiás do que você, e VOCÊ é alguém Goiás até a medula, torra o saco! Claro, no meu caso, não surtiu o efeito que eles queriam: provavelmente, parar de torcer para o Goiás. Porém, eu sou um doente, um obsessivo, comigo esse tipo de coisa não vai funcionar. Mas imagina entre a população “normal”. Quem toleraria ser xingado ou ter o saco enchido por algum celerado da Inferno Verde por motivo tão cretino? Querer criar identidade em detrimento de uma cultura já arraigada tem outro nome.

Na real, acho que se mandaram os MISTOS escolherem entre o Goiás e o outro, “o outro” ganhou. Essa situação bizarra me faz criar a única analogia possível, ainda que mais bizarra que a própria situação: a mãe da sua amante te passa um sermão, enche o saco no “úrtimo”, te acusa de não gostar de verdade da filha, e manda você escolher entre ela e a sua esposa. Me enche de vergonha ver aquele monte de torcedor adversário nos jogos do Goiás, além do fato da torcida cantar (ATÉ HOJE) “ê-ô ê-ô, o Goiás é um terror” ou aquele samba enredo do Salgueiro (Explode coração, na maior felicidade…), ou seja, ao invés de se preocupar em ser torcida mesmo, vai se meter onde não deve, tentando resolver um problema que não existe.

Acho que o torcedor do Goiás desencanou. Concluiu que “isso” não vai chegar a lugar nenhum e cansou de tentar “fazer a sua parte”. Provavelmente, tá em casa, guardado por Deus assistindo pay-per-view…


Maminha na Pressão!

Que a gente merece… eu, nem tanto, mas a maioria das pessoas que vem aqui em casa sim, merecem bastante! Comprei a maminha ontem, espero ter acertado! Cerveja tá gelada, Titia e Azamba na casa, Giba Canalha recusou o décimo sexto convite seguido, falta só um casal com uma amiguinha pro Duda. E a gente vai ficando adulto… me dá um certo medo de ouvir aquela música do Walverdes, mas é isso. A gente envelhece. Eu me vejo aqui como o Duda, e os adultos em volta eram pessoas do jaez de um Helinho, Robertinho, Padrinho Rock and Roll, a gente tem que se esforçar pra ele ter o que eu tinha. Os melhores tios com aspas do mundo! Gente que ensinava a jogar War e ouvir Chico Buarque e a fazer os 90 minutos nas cadeiras do Serra Dourada durarem pra sempre na memória!

Eu não sei cozinhar, o Azamba vai de Randico, mas tão Randico, que cabe a ele azucrinar o Duda. “Pai, o Azamba tá Randico” de vez em quando o Duda reclama e aqui em casa, “ser Randico” significa azucrinar uma criança pelo simples prazer de vê-la chorar. Eu não sei porque toleravam meu pai fazer isso com o filho dozôto, mas eu vejo o Azamba e compreendo um pouco. Até porque, tanto ele não chega aos pés do meu pai em termos de azucrinação, quanto eu falo pra ele parar de azucrinar, coisa que não via os pais fazendo enquanto meu encarnava seu espírito de porco.

Agora é hora de abrir mais uma na caminhada rumo aos 40, falta menos que 2 e aparentemente, a vida tá entrando bem nos eixos, já não era sem tempo.

Só falta a Laura voltar…