Libertadores… ah, Libertadores!

Na ordem, os brasileiros que conseguiram os melhores resultados:

1- Galo

2- Palmeiras

3- Grêmio

4- Fluminense

5- Corinthians

6- São Paulo

Porém, uma coisa é conseguir um resultado bom/razoável na partida de ida, eu mesmo comemorei loucamente quando empatamos em La Bombonera em 2000… outra coisa é transformar esse hipotético bom resultado em classificação efetiva.

O Corinthians, por exemplo, tem plenas condições de tocar dois gols no Boca, porém, há que se constatar que nem mesmo na Libertadores passada o time precisou ir para algum jogo PRECISANDO GANHAR.

O Palmeiras, por outro lado, “só” tem que ganhar de 1×0, mas é sempre bom lembrar que precisa fazer um gol, no mínimo, pois essa “vantagem” não significa nada se ao final dos 90 minutos, o placar estiver virgem.

Mesma situação vive o Fluminens, precisa “só” de 1×0, mas tem mais time. MUITO mais time, no caso. E o Grêmio joga pelo empate, situação que só não é mais confortável que a do Galo, que talvez entre pra “se divertir” no jogo da volta, uma vez que o São Paulo insiste em jogadores celenterados e unicelulares, como Lúcio e Luís Fabiano. Ontem, o jogo estava nas mãos do São Paulo, perdendo gols e dominando a partida, até o Lúcio fazer aquela bobagem!

Vejo a gente perdendo uma quartas de final para o Galo… e o Corinthians os eliminando, pra enfrentar o Fluminense na final.

Se bem que o Galo, bem reforçado com os Meninos de Caruaru forjados no Goiás anda, a despeito de tudo o que o cerca desde priscas eras pintando como Campeão! Um legítimo campeão, e eu quase começo a ficar feliz pelo Christian…


Precisamos Conversar…

Eu queria encontrar uma pessoa (ou várias) que tivesse lido “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, pra passar horas discutindo… achei um livraço, dos melhores que eu li ultimamente, e fico imaginando o trabalho que deu pra escritora. E nem tanto por compor um personagem como o Kevin, uma pessoa completamente “endemonioada”, e sim, a mãe dele, narradora do livro (na verdade, o livro é composto de cartas que ela escreve para o marido, pai do Kevin). 

O que o Kevin faz, um massacre numa escola americana? Sim, isso é a cereja do bolo, mas ao longo da vida, ele atormenta a vida da mãe de tal maneira que nos faz pensar em algumas coisas, como por exemplo, provocar a retirada do globo ocular da irmãzinha porque acidentalmente jogou ácido de desentupir pia no rosto dela… 

Pra começo de conversa, a mãe dá a entender que ele “nasceu” assim – fato que vai sendo minimizado ao longo do livro, onde quase involuntariamente, ela assume algumas “culpas”. Porém, me impressionou o relato dela do nascimento, que ele pareceu fazer uma careta de nojo ao ir pro colo dela e se recusou, terminantemente, a pegar o peito dela. Ela relata até expressões e esgares dele, um bebê com dias de vida, já tendo “sentimentos”. 

Será que existe isso? Criança que já nasce “ruim”? Meu pai costumava ter algumas implicâncias com algumas crianças muito pequenas, e a bem da verdade, até onde eu pude acompanhar, ele estava correto com o que ele achava/previa. Com ele, não funcionava aquela coisa de “ah, é só uma criança”… 

Daí que um amigo me falou uma coisa que fez algum sentido apesar de… bom, quem me conhece sabe que eu já transitei por quase todas as religiões, a única que eu nunca quis me envolver, nem de longe, foi o Espiritismo. Por favor, não me chame de ignorate, eu continuo respeitando o seu direito de acreditar nisso, eu só não quero me envolver. Porém, o que o meu amigo falou, infelizmente, a despeito das minhas crenças, fez sentido:

“- Eu acredito nisso de reencarnação, e tem espírito ruim, mas ruim de verdade! E aí, falam aquela coisa de que vai voltar pra se purificar, pra melhorar e ele já nasce falando que não quer se purificar, quer continuar sendo ruim…”

Faz sentido. Ainda que ao longo do filme, algumas coisas expliquem melhor alguns porquês do Kevin ser como ele é… e é muito foda ver a consequência de uma mãe que não queria ser mãe, não tem aptidão pra ser mãe e nunca quis sequer ter essas aptidões. Junte a isso um pai disposto a compensar algumas coisas e uma criança “espírito ruim”. Livro que perturba, muito! 

E que me faz agradecer o fato de que, se algum dia o Duda se tornar algo que eu não gostaria, a culpa terá sido totalmente minha e da Laura!


Parar, Dar um Tempo ou Diminuir?

Sei que já falei várias vezes aqui sobre isso. E sei que nunca vou conseguir simplesmente “parar de vez” com esse negócio de escrever em blog. Mas preciso. Ou melhor, vou dar uma diminuída. E pelo mesmo motivo que fez o blog ficar meio “rareado” por volta de 2009: falta tempo. Com uma diferença crucial: hoje, ainda que eu tenha tempo, eu não quero ocupar esse tempo com textos pro Febre Alta. Quero deixar pra pensar nisso de noite, depois que o Duda dormir. E não vai ser todos os dias, também, pois quero ler mais e ver mais filmes, por isso…

Acostumem-se. Sei que ninguém vai sofrer muito e não vai ter mulherada rasgando serapilheira em prantos, é uma contingência da vida. Eu também vou sentir falta do convívio quase diário, mas talvez, como em quase tudo na vida, “menos acabe sendo mais”. Menos textos, mais qualidade. Menos assunto, mais assertividade. Vai ser assim, depois das 23h00 eu vou sentar pra escrever, quando tiver o que escrever, e responder comentários, quando tiver comentário a ser respondido.

É assim que vai ser, porque é assim que tem que ser. Porque a qualquer momento de fevereiro, a Nina vai nascer e não vai ser escrevendo textos que todo mundo acha sensacional que eu vou comprar fralda pra ela. Grana sempre vai ser o que move o mundo. Durante algum tempo, acalentei um sonho de viver do que eu escrevo. Já me acostumei com a realidade. Agora, vou me acostumar com a decisão tomada.

Aos sábados, enquanto a Carolina quiser, meus textos estarão no Malvadezas, religiosamente. E eu sei, não ganho $ pra escrever lá, mas ganho outras coisas. Que não são da sua conta. Nem da sua. Ganho algo que me motiva a continuar escrevendo e a continuar tendo o COMPROMISSO com ela de colocar um texto todo sábado. Aliás, uma das coisas que eu mais odeio é quando alguém assume um compromisso que não envolve grana e aí, quando não cumpre, fala “Não tão me pagando nada mesmo…”

De 15 em 15 dias, a partir de uma data a ser definida, meus textos estarão também no Portal da Educação Física. Sim, faz sentido. Trabalhei com isso durante 11 anos da minha vida, e tenho uma certa percepção de mercado que me permite, aliada à verve que disseram que eu tenho, cumprir o papel que me foi designado. Com algumas arestas e ponderações necessárias, em se tratando de mim. Censuras poderão ocorrer e isso faz parte do processo. Grana ainda não tem, mas de novo, ganho de outras formas.

É assim. Ninguém mais do que eu sabe o que já ganhei  com esse blog. Quantos amigos eu fiz, sem falar na retomada da amizade com o Helinho e a Neiva, daquelas coisas de declarar em Imposto de Renda como patrimônio. Mas agora, é hora de fazer outras coisas. Por outras coisas, entenda como quiser. E entenda quando você aparecer por aqui e não tiver aquela opinião sobre o jogo polêmico da semana ou o título do Palmeiras. É a vida, só isso, nada mais.

Sigamos!


Abstinência Futebolística

Então, já sinto alguns sintomas assaz desagradáveis da abstinência de futebol, desde o fim do Campeonato Brasileiro, e nem preciso entrar em muitos detalhes acerca do fiasco que foi o meu último envolvimento futebolístico. No caso, aquele vexame inesquecível do Santos. Fato é que o Campeonato Brasileiro terminou e nada que mereça destaque aconteceu, e eu sei que o Campeonato Inglês e a Copa da Inglaterra seguem a todo o vapor, que tem os playoffs da NFL, mas sou um obsessivo criterioso. Gosto de futebol. E o limite de envolvimento que preciso me impor é o da fronteira do Brasil. Sim, eu assisto jogos do Campeonato Inglês e ainda curto o Arsenal, sei bem o valor de uma partida de mata-mata da Champios, e se eu estiver de bobeira, é bastante provável que eu assista uma partida minimamente relevante do Campeonato Argentino. Assistir é diferente de se importar. Não entendeu a diferença? Ok, adiante.

O Calendário Brasileiro é uma bosta e digo isso não pelo excesso de jogos e toda a reclamação usual. Digo que é uma bosta porque termina na primeira semana de dezembro e demora uma eternidade até começar a acontecer alguma coisa que preste. Sim, eu sei que em janeiro já começam os estaduais, a Copa do Brasil e a Libertadores, mas todos esses padecem do mesmo mal que a Copa do Mundo: times demais. E é claro que eu vou assistir aos jogos do Palmeiras, também os do Corinthias, do Santos e do São Paulo, além de ficar de olho se a Lusa vai se classificar e se o XV não vai cair, isso sem falar na saga do glorioso São Bento na A-3, mas os jogos são ruins demais! Os times pequenos jogando pra perder de pouco; os grandes, jogando pros 90 minutos terminarem logo. E as torcidas das cidades do interior dando pouca ou nenhuma importância pros times locais, isso tudo me irrita muito. Parece que os times do interior comemoram o acesso à Primeira Divisão apenas visando o dia em que jogarão contra o Corinthians em casa e vão poder cobrar 100 paus o ingresso. Dá nojo!

Mas falando em Corinthians, vamos logo pro que interessa: Libertadores! Será que eles vão ganhar? Não sei, mas um dia eles vão ganhar e vai ser uma puta festa! Eu acho que o Mano perdeu a Libertadores mais ganha de todos os tempos em 2010, quando ficou pelo caminho contra um Flamengo meia boca, mais um título que o Mano enfiou na bunda inexplicavelmente (o outro é a Copa do Brasil de 2008 e acho que tem algum outro que agora não me recordo). Nesse ano, o problema que eu enxergo é o mesmo do ano passado: o Tite. Sim, ele foi campeão brasileiro e pode muito bem mandar eu calar a boca, mas sigo achando que ele não é técnico pro Corinthians, muito menos pro Corinthians numa Libertadores! O resto é psicológico. E saber ganhar do Santos, o único time que realmente tem condições de atrapalhar, se nos restringirmos ao “campo & bola”.

Porque você olha os 12 Grandes do Brasil e percebe o seguinte: 8 já ganharam a Libertadores. Quem ainda não ganhou, além do Corinthians? Atlético – MG, Botafogo e Fluminense. Tá errado, isso. Quem bate o olho, vê a inadequação do Corinthians andando com “essa turma”. Troca o Palmeiras pelo Corinthians e fica tudo certo! E sabendo que o Fluminense é o que tem mais condições de sair desse lugar… imagine que essa situação fosse possível, seria errado dizer que Palmeiras, Galo e Botafogo NUNCA vão ganhar uma Libertadores na vida? Eu acho que esses 3 times são, oficialmente, os gordinhos de óculos do futebol brasileiro!

Restringindo-me ao Palmeiras, que é o meu time, não consigo mais enxergá-lo como um time grande. Não joga como time grande, não se comporta como time grande, não contrata como time grande, não revela como time grande, não ganha títulos como time grande e sobretudo, não reage como time grande quando é zuado! É a piada do futebol brasileiro. “Palmeiras tem quase tudo acertado com fulano… fulano se apresenta no Fluminense 15 dais depois”. E não dá nada! Assim como o Juvenal Juvêncio tem um plano secreto de transformar o São Paulo no time mais odiado do mundo (apud Mendes, Carolina), o Palmeiras conseguiu uns dirigentes que não vão desistir enquanto não acabarem com o time.

E eu sei que não vou parar de ver os jogos do time, que nunca vou mudar de camisa, e quem me conhece mesmo sabe a irrelevância da minha “torcida” por todos os meus outros 37 times, e nem se trata de me preocupar com a afeição do Duda pelo Verdão – hoje em dia, minha preocupação maior é se ele vai gostar de futebol, pura e simplesmente -, é só a raiva de ver que estão fazendo algo com “alguém” que eu gosto demais, e não há nada que eu possa fazer a respeito.

E que, apesar de tudo, fico aqui esfregando as mãos ansioso enquanto todo o sofrimento não começa mais uma vez…


E o Handebol, no fim, venceu!

Antes que me pergunte – se é que paira alguma dúvida -, eu detesto handebol. E nem tanto por ser assim, um esporte idiota, mas por subverter dois grandes pensadores: São Tomás de Aquino e Darwin. Duvida?

No caso de São Tomás, tem aquele lance que ele fala da simplicidade da (acho que) NATUREZA, que quando acha uma forma como algo deve ser feito, despreza todas as demais. E no caso, estamos falando de um esporte que usa uma quadra, uma bola, uma goleira de cada lado e o objetivo consiste em botar a bola dentro das goleiras. Ok, o nome desse esporte é FUTEBOL, concorda São Tomás? A natureza já escolheu uma forma que aproveite os instrumentos acima citados, todo o resto é desvio de função.

Ou então, um jeito de burlar a Seleção Natural, que o coitado do Darwin teve o mó trabalho pra desenvolver e vem Professor de Educação Física que não sabe jogar bola bagunçar. Imagina a decepção do cara ao ver a sua TEORIA sendo tão maltratada? Pior que ele, só Mendel, que deve ter colocado fogo em todas as ervilhas quando se deparou com duas pessoas, saídas do mesmo pai e da mesma mãe como a Laura e o irmão dela.

Voltando ao handebol, ele surgiu como um “sistema de cotas” pra abranger gente que não sabe jogar bola e isso é errado. Porque o handebol não serve pra nada, quer dizer, depois que você chega a idade adulta, vai fazer o quê com isso? Quantas quadras são alugadas para praticantes alucinados de handebol? Sim, foi legal no colegial, até na faculdade, e no meio da Educação Física existe um inexplicável fascínio da mulherada pelos caras que jogam handebol (donde espero que venha as minhas tentativas de ter praticado isso, tendo sido, inclusive, tri campeão na faculdade), mas depois, não serve pra absolutamente mais nada! E todo o tempo dedicado ao handebol foi em vão.

Por isso eu acho errado! Porque quando o cara não sabe jogar bola, tem que deixar ele mergulhar no seu iceberg das competências e descobrir alguma coisa que sabe fazer, sei lá, algo envolvendo matemática, Super Trunfo, Dinossauros, Computadores, enfim, dá pra tentar achar alguma aptidão em algo, e deixem a quadra pro futebol, ou então, se quer usar as mãos, tão aí o vôlei e o basquete existindo, apesar de muita gente não dar a mínima.

Sim, eu detesto o handebol, mas ele venceu. No caso, me venceu! Invadiu o meu terreno no que existe de mais sagrado e subverteu o futebol. Eu tava tentando identificar o que REALMENTE me incomodava nesse jeito do Barcelona e da Espanha jogarem, até que o meu Padrin Rock and Roll matou a charada:

– Aquele trem é chato demais, é handebol “cos pé”!

É isso! Essa porra que o Barcelona joga é “handebol cos pé”. Por isso é tão chato. Claro, talvez por isso seja tão eficiente, pois as partidas de handebol terminam 62 x 59, ou seja, é mais fácil fazer gol desse jeito do que jogando futebol “de verdade”, mas por favor, parem de dizer que é BONITO. Não tem um único drible durante o jogo todo! Não há espaço para a imprevisibilidade. É bola de pé em pé, naquilo que em handebol se chama “engajamento”, até o gol. Detalhe: se no futebol tivesse uma regra como no handebol, que pune o time que fica enrolando demais com o chamado “jogo passivo”, o Barcelona teria trabalho. Se todo aquele rame rame deles de bola pra lá e pra cá tivesse que ter o destino do gol, ia complicar a vida desses caras.

Sim, é chato. Mas funciona. Quer dizer, dá certo. Ninguém consegue ganhar dos caras, salvo acidentes de percurso. O meu medo é se todo mundo resolver imitar, e os professores de educação física escolar, com um sorrisinho cínico no canto da boca, comemorar a invasão do futebol por esse esporte que não deveria nem existir, sendo o próximo passo simpesmente abolir o jogo com os pés e liberar o uso das mãos.

Vai sair mais gol, inclusive…


Clichê n. 21 – Meu Livro Favorito

Eu conheci “O Apanhador no Campo de Centeio” através de “Feliz Ano Velho“, e isso não deixa de ser uma coincidência interessante. Porque um me influenciou como escritor, o outro, não. Na verdade, de uns tempos pra cá me bate um certo cagaço do Marcelo Rubens Paiva ler esse tipo de coisa e ficar puto, mas é isso aí. Eu li “Feliz Ano Velho” aos 13, e reli tantas vezes que, aos 20, resolvi começar a escrever.

“O Apanhador No Campo de Centeio” me influenciou como leitor. Eu o vi citado no “Feliz Ano Velho” e fui direto na biblioteca do meu pai procurar. Não tinha. E o mais estranho, meu pai não o tinha lido. Deu trabalho pra encontrar, percorri todos os sebos de Goiânia e nada. Um dia, o carinha de uma livraria encomendou pra mim e foi o primeiro livro que eu comecei a reler no exato momento em que terminei de ler. Eu tinha 18 anos e achava a minha vida uma merda! Foi perfeito!

Mas eu queria ler livros como aquele, e não achava nada nem parecido. E numa época pré internet, nem imagino como seria possível “pesquisar” sobre autores ou histórias similares. Tempos depois, agradeci o fato de Fante, Buskowski e Kerouac aparecerem bem depois na minha vida.

Nem me toquei que era o livro que o maluco que matou o John Lennon estava lendo. Tampouco saquei qual a possível conexão naquele filme do Mel Gibson. Não era ligado na “mística” do livro, nunca fui.

Na virada de 2002 pra 2003, eu reli pela putzgrilionésima vez e nem sei qual foi a contribuição pro meu surto no Retorno de Saturno, mas desde então, o livro me assusta um pouco. Vou reler.

Me incomodava bastante ver escrito, em mais de um lugar, por pessoas que não poderiam se dar ao luxo falar esse tipo de merda, que o Salinger ficou conhecido como o autor de um único livro, que fez imenso sucesso, e depois ficou recluso, sem nunca mais ter escrito nada. Li tudo o que pude dele, pelo menos do que foi traduzido aqui. Mas ainda acho que o melhor, disparado, é esse que conta a história do Holden Caufiled. Uma história engraçada a esse respeito é que, logo que comecei a namorar a Laura, encontrei na estante da mãe dela um livro do Salinger: “Uma Agulha No Palheiro”, fiquei loucão! E confesso, envergonhado, pois demorei pelo menos umas 20 páginas pra descobrir que era “O Apanhador No Campo de Centeio” com o título com que foi publicado em Portugal…

Me incomodou muito também o barulho que fez um livro que uma mulher lançou, meio que falando da vida dela com o Salinger… isso me mostrou uma certa sordidez no ser humano, de se interessar por algo tão bizarro assim, pois parecia meio óbvio que o Salinger havia sido bem escrotão com essa mina. E eu fico pensando no mó dos “so what” do mundo, pois quando ele morreu, eu vi um twitter de uma mina que disse que perdeu completamente o interesse no Salinger depois que leu o livro da tal Joice Maynard.

Como assim? O que seria “perder o interesse em Salinger”? Que tipo de interesse ela tinha (além do literário, ÓBVIO) e que acabou se perdendo só porque ele não era um maridão companheiro, a favor do diálogo e que ajudava a lavar a louça depois do jantar? Sei, levianérrimo esse meu comentário, até porque eu não sei absolutamente do que se trata no livro, do que ele de tão ruim fez pra mina que foi abandonada no campo de centeio, mas é que não consigo pensar em nada (ABSOLUTAMENTE NADA) que ele pudesse ter feito que me fizesse perder o interesse literário nele.

Mal comparando (muito mal comparando), eu perdi todo e qualquer interesse no Marcelo Camelo depois que ele cantou com a Sandy e a Ivete Sangalo. Faz sentido?

Fuck off!

Eu tinha tão pouco interesse no Salinger, que ao ler a notícia da morte dele, achei que ele já tinha morrido há tempos.

Ainda tenho esperança de que até o Duda chegar no Colegial, “O Apanhador No Campo de Centeio” vai fazer parte dos livros indicados pelos professores dele, ao invés de “Iracema”,  ou “Maíra”. Mas ainda que não seja, acho que ele vai ler de qualquer jeito, disso eu tenho certeza.

O Salinger escreveu o meu livro favorito. Porém, por mais contraditório que seja, eu nunca senti vontade de conversar com ele…


Um Casamento em Kripton

No Sábado em que escrevo no Malvadezas, falei sobre o Natal e a Nicarágua, agora me ocorre falar de um casamento em Kripton… É que eu queria dizer algo como… estive em Kripton, quando fui a Goiânia em abril do ano passado, pro casamento do Pescoço, mas gostaria que isso saísse sem dar a mínima impressão de que eu me acho o Superman.  Porque foi como estar entre os meus, na minha terra, com gente igual a mim. Sim, reunião dos Acionistas Majoritários da Verdade, onde “a prosa dá liga”, como bem disse o Helinho no dia em que esteve entre a gente, num churrasco na casa do Rock and Roll, uma das últimas ocasiões em que vi o meu coroa feliz – e pensar que o abraço fraterno deles foi a última vez em que se viram… melhor assim, foi uma excelente despedida, quase um fim de tarde na casa do lago de Invasões Bárbaras.

A prosa dá liga por várias razões, quase todas elas maledicentes e carregadas de preconceitos; como quando estávamos num barzinho e chegou uma galera pra fazer “música ao vivo”, todos nos olhamos com o mesmo olhar. E o olhar evoluiu para um riso uniforme de sarcasmo quando os “músicos” iniciaram os trabalhos com Djavan. Ali, ninguém discorda que Djavan não dá, é o fim! Djavan é o máximo que a galera que ouve Sertanejo Universitário acha que consegue chegar em direção ao “bom gosto”. E num consenso turbulento e barulhento, chega-se à conclusão que, apesar de ser Djavan, “Fato Consumado” e “Flor de Lís” dá pra ouvir.

Sim, uma concessão ao Djavan, e olha que não somos de fazer concessões, tanto que ao falar que gostei da versão de “UP” dublada com o Chico Anysio, quase fui fuzilado com o argumento (que eu mesmo sustento) de que NÃO SE ASSISTE UM FILME DUBLADO E QUEM ASSISTE É IDIOTA. E pouco adiantou minha tentativa de apresentar uma atenuante, a de que o Duda adora o filme e – coitado – não entende inglês, parece que eu não entendi que não existem brechas legais para burlar essa lei de não se assistir um filme dublado.

Paulo Francis surge na pauta e provoca reações: gênio ou reaça, e suas mais improváveis variações, nunca indiferença. Ninguém ousa, ali entre os Ferreira, perguntar quem é Paulo Francis, porque a gente não perdoa, meu pai se referia às minhas namoradas como “aquela que achava que o Neruda era brasileiro”, ou “a que nunca tinha visto UM filme do Woody Allen” e assim por diante. Como bem definiu a Laura quando nos conheceu, somos um bando de loucos, onde 6 pessoas vociferam ao mesmo tempo, cada um com uma opinião diferente sobre a Guerra das Malvinas!!!!

Somos esse povo que o Google tá tornando obsoleto, pois hoje em dia, não precisam mais da gente pra saber quem fez o segundo gol da Holanda contra o Brasil em 74, ou qual atriz interpretou a Leila Diniz no filme biografia dela. Outro dia, nem acreditei quando o Giba me ligou querendo saber a capital da Bulgária! Com o Google, talvez a gente brigasse menos… mas acho que seria menos divertido. Ninguém fala de Big Brother, achei isso simplesmente impressionante! O Big Brother não existe ali! Na mesa do bar, ninguém fica constrangido de afirmar que não existe uma pessoa inteligente que goste de Ivete Sangalo – até porque, na NOSSA frente, ninguém tem coragem nem mesmo de afirmar que já ouviu Ivete Sangalo! Equivale a admitir que experimentou um prato de bosta e não é tão ruim assim…

No casamento, a Laura achou engraçado: nenhum dos padrinhos faz “em nome do pai”, ou reza o Pai Nosso, ou brinca com o padre daquele negócio que ele fala e a gente tem que repetir “bla bla bla no amor de cristo” ou “whatever who cares ele está no meio de nós”. A postura é de resistência solene, todo mundo levanta o braço direito pra sei lá o quê – quando eu disputava jogos era pra fazer o juramento do atleta -, mas a gente fica ali, firme, as mãos cruzadas em frente ao corpo. Sim, a verdadeira piece de resistance seria não ir na igreja, mas acho que faz parte da… molecagem? Não sei, a gente não regula muito bem da cabeça. Uns ateus, outros simplesmente de bom senso pra não dizer amém para a santa igreja católica. Também, não perdemos tempo falando mal da nobre instituição, pois assim como em O Poderoso Chefão, respeitamos a matriarca e só consideramos a hipótese de matar um irmão depois que ela se for. Mas todo mundo, cada um a seu modo, tem um pouco de certeza que ela não vai embora nunca, se Deus quiser.

No fim, é divertido pra cacete! Sei que tenho que podar minhas arestas e esconder meus espinhos na vida social, se não quiser ser banido de toda e qualquer roda, pois o mundo assiste Big Brother e ouve Ivete Sangalo e não há nada que se possa fazer a respeito. A Laura vive me perguntando porque eu ainda falo que todo mundo que ouve Ivete Sangalo é idiota, e eu digo: ainda sonho com o dia em que alguém vai me falar: “desculpa, Randall, mas eu ouço Ivete Sangalo e não sou idiota“. Isso nunca vai acontecer, as pessoas preferem ficar magoadinhas e dizer que “o Randall é foda”…

Foi bom estar em Kripton, Asgarth, Tatooine, Vulcano ou qualquer outra alegoria semelhante que signifique O LUGAR DE ONDE VOCÊ SAIU.