Parece Que Foi Ontem…
Publicado; dezembro 13, 2011 Filed under: Uncategorized 15 Comments »Esse foi o tipo de coisa que eu mais li/escutei quando alguém se referia ao título mundial do Flamengo, conquistado há exatos 30 anos! E o pior é que parece mesmo… parece que foi ontem que o meu Coroa me acordou à meia noite, lá na casa da minha vó, onde sacrossantamente se dormia depois da novela, pra ver um jogo de futebol. O menino de 8 anos ainda não entendia porque estava de noite e no jogo do Flamengo era de dia. Mas o pai falou alguma coisa sobre fuso horário e ele acreditou. Da mesma forma que ele acreditou quando, alguns dias atrás, mesmo com a torcida da Anapolina comemorando no gramado do Serra Dourada, que o campeão era o Goiás!
Claro que eu era Flamengo, naquela Goiânia do início dos Anos 80, mas a verdadeira pergunta é: QUEM NÃO ERA FLAMENGO? Na minha rua, todos eram. Todos, sem exceção. E todos nós fomos ao Serra Dourada ver o Flamengo jogar contra o Atlético – MG no jogo extra da Libertadores, jogo que não terminou porque os jogadores do Galo preferiram dar voadoras e outras porradas ao invés de jogar bola. Mas se serve de consolo, o meu amigo Christian que, à míngua de títulos, costuma dizer que o Galo é o único vice invicto e o time que mais vezes ficou em quarto lugar, pode dizer que o Galo foi o único time que não perdeu pro Flamengo naquela campanha avassaladora!
Que teve um 6×0 em cima do Botafogo no meio, teve um título carioca conquistado com a famosa ajuda do Ladrilheiro contra o Vasco, teve a batalha campal de Santiago e a deliciosa vingança do Nobre Anselmo sobre o facínora do Mário Soto! Nunca vou me esquecer o camisa 11 deles (Puebla, se não me engano), pisando no meio da coxa do Júnior! Mas lembrar disso é ser injusto com as verdadeiras memórias que Júnior e Leandro devem invocar, os melhores laterais de todos os tempos! Se eu começo a falar de Júnior e Leandro com o Helinho, o assunto vai até “umas hora”…
E a meiúca? A Santíssima Trindade de Andrade-Adílio-e-Zico, ditos assim, como se fossem um só, tal como Bauer-Rui-e-Noronha do São Paulo. Mas no caso do Flamengo, não podem ser um porque o Zico é grande demais! Maior que tudo, maior que o Flamengo! Fez gol na final de 80, fez TODOS os gols do Flamengo nas 3 partidas finais contra os celerados do Cobreloa, e algum vascaínopata talvez diga que ele não fez gol na Final do Mundial, mas deu os 3 magníficos passes para os 3 gols! Ah, o primeiro gol…
Nunes dá um calcanhar na lateral esquerda quase na linha do meio campo, de Mozer pro Zico que, rapidamente, lança ao ataque, pra quem? O próprio Nunes, que segundos atrás estava quase 30 metros distante de onde alcançou a bola para fuzilar o goleiro! Um amigo meu uma vez ousou escalar um Flamengo de Todos os Tempos com o Romário no lugar do Nunes, maior heresia que eu já vi! Nunes, o Artilheiro das Grandes Decisões!!!
Lendo o livro do Eduardo Monsanto, tomei um susto ao ver o carro que o Zico ganhou… que coisa horrorosa! E na época, era assustadoramente moderno, aquele Toyota – aliás, descobrir que a Toyota não fazia só jipes já foi assustador por si. Foi uma época maravilhosa pra ser criança, tendo um time que tinha o Zico, e que ganhou o mundo. Eu o Flamengo nunca mais nos reaproximamos, hoje em dia é um pouco como uma ex-namorada que foi legal, mas que embagulhou, pintou uma outra paixão, verdadeira, que não deixa espaço pra mais nada. Mas enquanto durou, foi bom demais ser Flamengo em Goiás.
E aqui, como fiz com Goiás, Palmeiras e Santos, os meus 10 Mais do Flamengo:
1- Zico
2- Raul
3- Andrade
4- Adílio
5- Leandro
6- Júnior
7- Nunes
8- Renato Gaúcho
9- Zinho
10- Petkovic
A Frente Fria Que a Chuva Traz!
Publicado; dezembro 12, 2011 Filed under: Uncategorized 2 Comments »Quando eu assisti “A Frente Fria Que a Chuva Traz”, a peça cumpriu todas as minhas expectativas, apesar de tudo o que “Homens, Santos e Desertores” representa pra mim, no âmbito pessoal. É, ficou meio truncado e meio nada a ver, é que são duas peças do Mário Bortolotto e acho que queria dizer que gosto mais de uma que de outra, ou…
Tem um resíduo pessoal ali naquele palco, vendo os playbas se divertindo numa laje da perifa só porque algum caderninho de cultura falou que esse é o novo hype do momento. Aqueles playbas orbitaram a minha vida, nos tais “melhores colégios de Goiânia” onde estudei, e na extensão disso tudo, quando se é Classe Média numa capital provinciana como Goiânia. “Não nasci em berço de ouro, mas tive um berço”, diz o Marcelo Rubens Paiva e isso resume um pouco da minha história “do lado de cá dos trilhos”, pequeno-burguês bem nascido, tale coisa.
Mais tarde, um pouquinho depois da adolescência as portas dos “um por andar” dos pais dos Playbas se abriram pra mim. A porta da cozinha, por onde eu e o Pescoço entrávamos com a aparelhagem de som dele, que era o DJ e eu o seu Roadie Sancho Pança (menos pança na época). Não raro ouvíamos um “olha que bonitinho, os dois são netos do Seu Randall E TRABALHAM!”, uma coisa Oscar Wilde no cerrado goiano.
E por sermos, dentre outras coisas, “netos do Seu Randall” (só sendo de Goiânia pra entender), gozávamos de uma espécie de prestígio, fazíamos parte do que poderia se chamar a ala VIP da criadagem, e mais de uma vez atraimos olhares nobres para a estrebaria, e chegamos a namorar mocinhas da high, ou pseudo-high, na falta de uma high legítima, mas whatever, tudo igualmente escroto. Eram aquelas Patys e Playbas da “Frente Fria”, por Paty e Playba entenda “Pessoas Que Gastam o Dinheiro dos Pais em Despesas de Caráter Voluptuário”.
Peça boa pra se fazer um mea culpa, viu? “Ah, eu não sou como eles (Patys e Playbas) não”! Eu sei que não, imagina, mas o quão distante VOCÊ está deles? O quanto você realmente se diferencia DAQUILO? A quantas anda sua tolerância com os cretinos? Como você reage quando alguém na roda diz que “A Íris é 10, mas o Diego Alemão é show!”. Putz, cara, tem gente que não faz a mais puta idéia de quem seja Íris e Diego Alemão! Mas sabe quem é Nei Lisboa e Domingos de Oliveira. Que reconhece o Cesana como o “cara que fez Felizes Para Sempre”, não como “Aquele carinha da propaganda de Bis”. Que nunca comprou um CD do Chicelete com Banana, que nunca foi num show da Ivete Sangalo, que não compra Caras e Contigo nem CD de trilha de novela, gente que não vê novela, gente com substância, com quem eu posso trocar alguma coisa, inclusive umas palavras e algumas idéias, GENTE!
E eu que no mesmo dia estava lendo “O Professor de Letras” do Tchekhov, conto que termina assim: “Onde vim parar, meu Deus? Estou cercado de vulgaridade por todos os lados. Gente enfadonha, vazia, potes de cerâmica com creme azedo, jarras com leite, baratas, mulheres tolas… Não há nada mais medonho, mais ultrajante, mais deprimente que a vulgaridade. Fugir daqui, fugir hoje mesmo, senão vou ficar louco!”
Posso ter falado um monte de merda, e o que é pior, um monte de merda que nem tem nada a ver com a peça, usei a obra-prima do Mário como muleta pra soltar os meus demônios, mas desculpa aí, Dramaturgo, eu já fiz isso antes, quando peguei um avião pra Goiânia e fui me resolver com o coroa depois de ver “Homens, Santos e Desertores” e deu certo. Dessa vez eu não preciso me acertar com ninguém, talvez comigo mesmo, mas ainda não me decidi.
E tem o pagodeiro que fica indignado quando o chamam de pagodeiro – “SAMBA!!!! Eu faço SAMBA! Samba de raiz!” – que me lembra Sandy e Júnior: ele jura que vai fazer rock, ela agora canta Cole Porter no Bourbon Street. Não! Eles são sertanejos, filhos de sertanejos, são bregas, cafonas, escrotos! Deveriam se limitar a cantar “Maria Chiquinha” e, quando muito, versão em português de música bundalelê. Mas não, vai lá no Bourbon Street (Meu Deus, que sacrilégio com o nome, Rua sagrada onde eu pus esses pés que a terra há de comer) no dia em que ela estiver se apresentando a 150 paus per capita, vai estar lotado! E cheio de “Quases”, esses indivíduos governados pelo Zé-Maneísmo dominante, dizendo que “ela tem uma voz maravilhosa”, e que o irmão “toca vários instrumentos”. Eu até entendo os adolescentes acéfalos que vão aos shows deles, mas porque uma pessoa iria ouvir a Sandy cantar Cole Porter ou o Junior tocar – ok, vá lá – rock and roll?
Ainda nem falei da Amsterdan… personagem interpretada com maestria (tinha um adjetivo menos óbvio não, blogueiro?) pela Fernanda D’Umbra, o grilo falante junkie dos playbas e patys, perguntando o que a diferenciava das outras. Ah, a Amsterdan chupa pintos pra conseguir drogas? As Patys também chupavam o Playba em troca de ecstasy. E ela ainda finaliza: “e vocês ainda tem dinheiro, nem precisam chupar o Espeto…” O que importa é saber reconhecer uma Amsterdan quando uma cruza o seu caminho. Escuta, cara. Vai doer, mas você precisa ouvir.
Termina a peça com o abraço mais foda que eu já testemunhei na vida, achei que ia chorar, as lágrimas estavam prontas pra vir à tona ao som rascante de Damien Rice, mas ao contrário disso, quando as luzes cirurgicamente comandadas pelo Fidalgo Poeta Marcelo Montenegro se acendem, eu abro um sorriso digno da peça com que acabei de ser presenteado, e assim a minha sexta-feira é coroada com o que há de melhor na Arte que eu gosto de apreciar.
Esse não é um texto de divulgação, nem é tudo o que eu tinha pra falar da peça, senta aí com uma cerveja pra gente esticar o assunto, vai?
Não Foi Empolgante!
Publicado; dezembro 8, 2011 Filed under: Uncategorized 6 Comments »Não, o Campeonato Brasileiro desse ano não foi empolgante, mas quem se importa? Ou melhor dizendo: os corintianos se importam? Porque, terminado o certame, o Campeonato Brasileiro cabe a eles, que ganharam. O resto, que chore na cama que é lugar quente! Quer dizer, tem os que vibram com “vaga na Libertadores” e os que lidaram com o rebaixamento, obtendo sucesso ou não. Mas no fim das contas, o que vale mesmo é quem ganha. Claro que nós, os torcedores, somos os idiotas de Shakespeare acompanhando jogos cheios de som & fúria e que não significam nada, mas volto a repetir, o que vale é ganhar.
O Corinthians ganhou jogando mal? Quem se importa? Foram partidas de 1×0 obtidas na beirada da bacia das almas? Tá lá a taça do mesmo jeito. Não tem nenhum craque?
OPA!
Vamos bem devagar com o andor aí… o que seria CRAQUE? Aquilo que o Flamengo tem usando a camisa 10 do Zico? Ou o que o próprio Corinthians tem com a mesma 10 do Neto? Ou pior, aquela coisa que usava a nossa Camisa 30? Eu acho o seguinte: o Corinthians foi campeão de forma merecida, apesar de uma série de coisas, inclusive o seu técnico cagalhão e ruim. Sim, acho o Tite um bosta, mas ganhou. Ontem mesmo, um bróder palmeirense veio falar que achou que o Corinthians foi medroso, que o Palmeiras foi melhor, que o Corinthians tava com medo de perder… bullshit! O Corinthians jogou pra obter um resultado e no fim, deu certo. Claro que irrita o lance dele só colocar volante pra jogar, foi até bizarro ele substituir todo mundo e só entrar volante, mas até aí morreu o Neves. E outra: andaram exaltando o Tite por consertar o time ao colocar o Alex em campo, e eu fico pensando que esse argumento só pode ser válido se a responsabilidade de deixar o Alex no banco desde o início fosse de outra pessoa que não ele próprio, Tite! E aí, eu não acho que ele consertou bosta nenhuma, só demorou um pouco mais de tempo pra fazer o que tinha que fazer.
O Corinthians ganhou porque, dentre outras coisas, teve mérito, grana e competência pra trazer gente como Alex, Liédson e Érmiçu. Esses foram os 3 grandes jogadores do time e na minha opinião, mais craques que Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Kléber foram nesse campeonato. Esses 3 caras fizeram a diferença. Aí, você conta com a possibilidade de surgir um William, de uma utilidade fora do comum; uma dupla de volantes acima da média; um bom lateral esquerdo, que, quando esteve fora do time, foi quando a equipe mais oscilou; e uma zaga que o Tite consertou. Aí sim, eu acho que ele foi competente, pois nesse meio escroto da boleiragem, mexer numa situação como a do Chicão sem causar efeitos colaterais ou deletérios, é tarefa pra gigante! Nada a ver com o estilo do “Pofexô dos Pojétu”, que gosta de chegar no Saloon matando o xerife (fez isso com o Ronaldo no Corinthians em 98, com o Marques no Galo e acaba de fazer com o Ronaldo Angelim no Flamengo), foi uma habilidosa saída de resolver um conflito.
E no fim, deu certo. Ao menos pro Corinthians. Penta Campeão com justiça e méritos. Agora é torcer pro Santos e esperar 2012!
Obrigado, Doutor!
Publicado; dezembro 4, 2011 Filed under: Uncategorized 11 Comments »Quando a melhor Seleção Brasileira que eu vi jogar se reuniu, ele era o melhor dentre tantos jogadores fora de série! Zico pode ter tido uma carreira mais longeva e laureada, Falcão brilhou onde ninguém daquela geração conseguiu, mas naquele time, naquela Copa, Sócrates foi o melhor! Na Copa de tantos golaços, os dele foram os mais bonitos! Contra a URSS, expandindo o campo em dois dribles que pareciam abrir o espaço a sua frente antes de acertar um canudo na ângulo do inexpugnável Dasaev! Contra a Itália, na jogada mais linda de Zico, fez um gol de sinuca, como diz o poeta fidalgo Marcelo Montenegro!
Eu não podia perder um início de partida, só pra ver o Zico rolando a bola pro Calcanhar do Sócrates, e ali tudo começava! Ali, naquele tempo em que o Camisa 8 era sinônimo do primeiro a colocar o cérebro pra funcionar! Zizinho, Didi, Ademir da Guia e Zidane (que jogavam com a 10, mesmo sendo 8), todos estes se sentem felizes com a presença do Magrão em sua confraria!
Em 86, diziam que deveria ser ele a bater aquele fatídico pênalti do Zico, mas sempre que perguntado a esse respeito, dizia: “Eu também errei um pênalti naquele dia”.
Nunca vou me esquecer de uma semifinal em 83, contra o Palmeiras, onde, com marcação individual implacável, se desvencilhou em um momento, um único momento, pra decidir a vitória do Corinthians. Sócrates, que por muito pouco não me tornou corintiano, quando eu era um apátrida em São Paulo… Sócrates que falava em Democracia em época de ditadura ma non troppo. Sócrates que, quando pipocavam as propostas pra jogar no exterior, respondeu assim ante a mais polpuda de todas, do Panatinaikos:
- Eu, na Grécia? Só se for pra tomar cicuta!
Sócrates, que ESCOLHEU a Fiorentina pela cidade, por tudo o que poderia ser-lhe oferecido ali.
Sócrates, o jogador que era médico. Que era gênio! Que era um inconformado, sempre indignado e inveteradamente acreditando ser possível fazer alguma coisa pra melhorar.
Sócrates, que com sua triste figura, me lembrava o Dom Quixote. Sócrates, que me faz pensar que a música do Luiz Melodia se assemelha ao futebol que ele jogava, improvável e bonito!
Sócrates, o melhor parceiro que o Zico já teve!
O melhor corintiano de todos os tempos!
Dorme em paz, Magrão!
Rodada Inútil
Publicado; dezembro 3, 2011 Filed under: Uncategorized 3 Comments »O campeonato brasileiro acabou faz tempo… mais precisamente, no dia em que o Fluminense perdeu pro América – MG em casa e de lá pra cá eu nem deveria mais escrever nada sobre o assunto, até por vergonha na cara. É que o Fluminense venceu aquela partida épica fora de casa contra o Internacional e esse resultado, combinado com a improvável derrota do Corinthians pro já citado América – MG, fez com que eu enxergasse um fôlego extra no tricolor carioca pra chegar atropelando na reta final. Será que eu estava tão errado em pensar assim?
É que eu não aposto uma cibalena vencida nesse time do Vasco pra ser campeão, portanto, a maneira como o Fluminense se aproximava e o Corinthians fraquejava “Titeanamente” me levaram a pensar numa inversão de papéis, por favor, concorde que havia alguma coerência no meu raciocínio, por favor? Mas, com 5 minutos de jogo, tive absoluta certeza que o Fluminense não ganharia do fraquíssimo América – MG, culpa do dia 11 de Outubro de 1990, e se você pensa que eu fui de alguma forma buscar formas googleanas de obter essa data, não me conhece direito. Nesse dia, o Goiás disputou a final da Copa do Brasil contra o Flamengo, no Serra Dourada, debaixo de uma chuva inclemente, precisando de uma vitória simples pra levar o jogo pros pênaltis. E desde esse dia, adquiri um superpoder: com 5 minutos, descubro que um time não vai ganhar um jogo. Meu outro superpoder é descobrir a quantas músicas o Beto Guedes Genérico de Boteco está de “Espanhola”.
O Corinthians ganhou seus 4 últimos jogos, alguns na bacia das almas, mas o que importa é o inhambu dos 3 pontos na capanga, fizeram a lição de casa e se credenciaram ao quinto título. “Ah, tem que ganhar do Palmeiras”, e vejo alguns amigos palmeirenses animadíssimos com isso, será que viram o mesmo campeonato que eu? Tudo bem, o Palmeiras melhorou bastante, ainda mais depois que escorraçaram o Kléber, mas… aliás, uma bobagem que eu andava ouvindo a respeito da falta de gestão do Felipão era que o Lincoln e o Pierre estavam arrebentando no Avaí e Galo, respectivamente. Bom, o Lincoln afundou com o Avaí e coisas muito esquisitas sobre ele foram ditas. Sobre o Pierre, basta analisar a facilidade com que o Sheik e o Imperador passearam pela zona guardada por ele no gol da virada do Corinthians no jogo que praticamente decidiu o campeonato. O Pierre passou a ser um completo bosta pra mim naquela semifinal contra o São Paulo, quando trombou com o Adriano e foi parar 4 metros longe! Nada contra, mas alguém com a minha compleição física não serve pra jogar futebol, com a do Pierre também não, deveria tentar os 10.000 metros num panamericano qualquer.
O Vasco tem chance de ganhar do Flamengo? Até acho que sim, parece que os salários andam bem atrasados na Gávea e o JogaBonito Gaúcho continua sendo o que ele sempre foi: um golfinho de Sea World. Sobe, faz uma gracinha, e volta. Eficácia zero, consistência nenhuma, resultado patético. Ou dão um Barcelona pra ele brilhar, ou põe do lado do Ronaldo e do Rivaldo com o Felipão no comando. Fora isso, foquinha do Sea World.
No fim, a última rodada vai servir pra secar – e muito – o Cruzeiro e ficar feliz pelos corintianos bacanas que eu conheço. É uma pena que o time ganhe com Tite e Moradei, mas acho legal que, com esse título, o Liédson se torna infinitamente mais importante que o Ronaldo na história do time. Ao menos pra quem gosta de futebol, pois quem curte Banco Imobiliário vai seguir preferindo o pegador de traveco que agrega valor.
A Caminho da JackNicholsonzação do Randall
Publicado; dezembro 2, 2011 Filed under: Uncategorized 17 Comments »Tem momentos em que eu e a Laura, como casal, não funcionamos bem. Quer dizer, a nossa convivência corre riscos. Um bom exemplo ocorreu num sábado qualquer em São Paulo, a gente tinha almoçado e bateu uma larica de tomar sorvete daqueles caros, uma vez na vida e outra na morte dá pra fazer o sacrifício. E aí eu queria ficar bem longe dela já no momento de pedir, pois ela comete o sacrilégio de pedir pra experimentar TODOS os sabores, e ainda assim hesitar, e isso me mata! Primeiro porque eu acho muito varzeano, e embora não seja o caso com a Laura, me parece aplicação da Lei de Gérson, aquele lance de aproveitar porque está pagando caro e tale coisa.
Se eu fosse dono de um desses quiosques, seria extremamente proibido “experimentar”. Acho que um Barry atendendo num lugar desses seria o meu empregado dos sonhos:
- Eu queria experimentar um sabor?
- Experimentar? Mas é um Hagen Daaz, não há o que experimentar, todos são muito bons, você não conhece todos os sabores? Ah, custa só sete paus a bola, você não vai passar por essa experiência humilhante com o escopo rasteiro de economizar essa ninharia, certo?
Deixando claro que eu não penso assim, mas era o tipo de coisa que pegaria nos brios dessa galera, e embora nesse sábado eu fizesse parte “dessa galera”, enfim.
Aí tem a segunda etapa… eu estou quase me sentindo tentado a esperar ela pedir pra pedir exatamente a mesma coisa, só pra não ter que passar pela desagradabilidade que é o famoso troca-troca gastronômico. E aí ela fica me olhando como se eu fosse o Jack Nicholson rachando a porta a machadadas por ter essa pequena idiossincrasia, mas porra, o meu sorvete É MEU! Fique com o seu! Eu estou quase conseguindo criar essa fama de psicopata se alguém mexe no meu prato ou pede “golinho” da minha coca, mas tem essa maldita cultura oriunda de famílias semi-numerosas que infestam os restaurantes aos domingos pra passar recibo de normalidade antes da missa das 7, e ficam as crianças uma fuçando no prato da outra, fazendo barulho e incomodando as outras mesas.
Óbvio que teve todo esse discurso e a Laura tem medo de envelhecer comigo, acho que ela não sabe ao certo a quantos níveis estou do Jack Nicholson com um machado…
Alta Fidelidade, Caralhonésima Releitura…
Publicado; novembro 29, 2011 Filed under: Uncategorized 3 Comments »E mesmo com quase uma estante inteira de livros não lidos (número que cresce assustadoramente), peguei “Alta Fidelidade” para reler. No início, me deu um certo medo de não curtir, ou de notar que o Randall da primeira leitura, aquele que leu em um dia, num fôlego só, deixou de existir.
Mas o livro continua sendo o que foi pra mim quando caiu nas minhas mãos, um pouco por acaso, em 98.
Só é estranho perceber o abismo de distância entre o Randall de 25, morando em Goiânia e defendendo um salário pouco maior que um “mínimo”, apaixonadíssimo por uma menina de 19 anos que morava a mil quilômetros dele, e esse Randall aqui, 38 anos, defendendo não um salário, mas um projeto de vida, casado com a tal menina pela qual se apaixonara, pai de um filho e esperando outra…
Cara, aos 25 eu sequer imaginava como seria quando me aproximasse do universo do Rob Fleming, 35 e penabundeado (aos 25 eu também não conhecia Reinaldo Moraes… não sacou o link? É uma pena, mas você deveria ler um pouco mais). Hoje, aos 38, é meio assombroso, mas tenho plena convicção que se isso acontecesse, não me passaria pela cabeça pintar logotipos na parede da sala…
“Minha genialidade, se puder chamá-la assim, é combinar toda essa carga de medianidade numa estrutura compacta única. Eu diria que há milhões de cara como eu, mas não há, na realidade: muitos caras tem um gosto musical impecável, mas não lêem, muitos caras lêem mais são gordos demais, muitos caras são simpáticos ao feminismo mas tem barbas idiotas, muitos caras tem um senso de humor como o do Woody Allen, mas se parecem com o Woody Allen. Muitos caras bebem demais, muitos caras se comportam de modo idiota ao dirigir um carro, muitos caras se metem em brigas, ou tomam drogas ou ostentam seu dinheiro. Eu não faço nenhuma dessas coisas, sério; se me dou bem com as mulheres, não é por causa das virtudes que tenho, mas por causa das sombras que não tenho.“
Das “sombras” que o Rob se vangloria por não ter, nem isso eu posso me gabar, pois sou gordo e me comporto como verdadeiro imbecil ao volante.
Mas sei que outro dia estávamos comendo num restaurante alemão do Shopping e ela cumprimentou um carinha. Quem era? Um aluno dela… da pós! E novamente eu me lembro da menina de 19 anos que me apaixonou perdidamente e vejo a pessoa em que se tornou hoje. E por aí, sei que jamais serei acometido pelas agruras que tanto incomodavam Rob Fleming, pois eu havia realizado algo: a Laura! Por mais que pessoas reivindiquem láureas sobre a pessoa em que ela se tornou, eu sei qual é a parte que me cabe nesse latifúndio! Ela sabe. Ela sabe que eu sei que ela sabe. E assim sucessivamente.
Acho que agora eu entendo tudo, com relação aos meus pais, pois fui incapaz de dar a eles isso que a Laura me dá. Eu não passo nem perto de ser uma pessoa de quem eles olham e sentem que “o dever foi cumprido”. Que valeram a pena as noites em claro, as fraldas com bosta, as idas ao médico de madrugada (se bem que, conhecendo as peças, acho que essas idas foram raras, muitos “dorme que passa” devem ter rolado, e não estou reclamando, só pra constar nos autos e não me acusarem de indulgência em excesso)…
Quando eu e a Laura fomos pra São Paulo morar num apê em que o pai dela sentia falta de ar e não se cansava de repetir “não sei como vocês conseguem morar num apartamentico desse tamanho”, quando ela talvez se questionava se mandar os Sócios em Sorocaba enfiar a clínica no cu foi uma boa idéia enquanto pastava desempregada e desesperançada… hoje a história é totalmente outra! E eu sei o quanto contribuí pra isso. Não estou me vangloriando nem medindo méritos com ninguém, mas o que eu sinto quando vejo a Laura hoje, não tem dinheiro no mundo que pague!
Domingos de Oliveira como Cabral, explicando no início de “Separações” que amar é querer o bem DO OUTRO.
“Quando Laura ouve os acordes iniciais, ela gira nos calcanhares e sorri e joga os polegares pra cima várias vezes, e eu começo a montar na minha cabeça uma fita pra ela, algo que esteja cheio de coisas que ela já ouviu e cheio de coisas que ela vá tocar. Hoje à noite, pela primeira vez na vida, eu meio que vejo como é que dá pra fazer isso.”
Com o final da história eu me dou por satisfeito!
“Shattered dreams, worthless years,
Here am I encased inside a hollow shell,
Life began, then was done,
Now I stare into a cold and empty well
The many sounds that meet our ears
the sights our eyes behold,
Will open up our merging hearts,
And feed our empty souls
I believe when I fall in love with you it will be forever,
I believe when I fall in love this time it will be forever“
Meu Filho Vai Ter um Kichute?
Publicado; novembro 28, 2011 Filed under: Uncategorized 18 Comments »Óbvio que li “Meninos de Kichute“, do Márcio Américo e veio a tona a lembrança dos meus kichutes. Não sei quantos eu tive, mas lembro de uma festa de aniversário em que a minha mãe me pôs uma roupinha toda frique-frique, com sapatinho de bacana e tudo, mas foi só ganhar um kichute do Penha e eu quis colocar na mesma hora! Tá vendo, Laura? Vem de longe minha inadequação entre roupas e calçados. Naquela noite minha mãe venceu, mas eu dormi calçado com ele!
Nas propagandas de Kichute, os moleques faziam altos golaços, eram todos craques, e toda vez que eu calçava o meu, com o cadarço amarrado na sola entre os cravos, descia de elevador até o subsolo, pra poder subir de escada até à portaria como se estivesse saindo do vestiário do Serra Dourada, abria a porta que dava pro térreo e soltava um “uaaaaaaaaahhhhh!” que normalmente assustava as pessoas, menos o porteiro, já acostumado.
Meu prédio ficava no limite da fronteira do Setor Universitário com o bairro que deu origem ao nome daquele time cujo nome não se pronuncia, coincidentemente, o mesmo nome do Bairro do livro do Márcio Américo. Em Goiânia, era um Bairro de “Classe Pobre Alta”, onde meu pai comprou um apartamento pra eu e minha mãe morar (ela mora lá até hoje), e durante muito tempo, vivi como o “riquinho” da rua, que estudava em colégio particular, ia de transporte escolar, fazia judô e inglês, tinha caixa de lápis de cor com 24 cores (embora não usasse nem 3)…
Eu era, como o próprio Marcelo Rubens Paiva disse em “Feliz Ano Velho”, nascido do lado de cá dos trilhos, e uma das primeiras evidências que tive da existência do lado de lá dos trilhos e de outras diferenças entre eu e meus amigos do bairro foi numa festinha, dessas em que os meninos levavam o refrigerante e as meninas os salgadinhos, e eram organizadas sem motivo aparente, a não ser tocar música lenta e torcer praquela menina aceitar seu pedido pra dançar. No meu caso, isso era raro, e quando a acontecia, minha desastrosa performance na pista, mesmo no prosaico “dois prá lá, dois pra cá”, eliminava minhas poucas chances de sucesso. Acabei criando um “tipo”, o cara que não gosta de dançar, que acha música lenta uma coisa chata e assim por diante. E nessa festa, notei que um de nossos amigos estava de Kichute. Calça, camiseta e Kichute. Como parecia novo, o pessoal foi pisar em cima naquelas de “batizar” o tênis do cara, mas ele explicou que o tênis não era zerado, era o Kichute dele “de sair”. Ainda bem que foi outro, não eu, que desprezou o bom senso e disse pro carinha que “Kichute não era tênis de sair”.
Dois dos meus amigos dessa época morreram em divergências conceituais com a polícia.
Se eu fosse escrever um livro, acho que o título mais apropriado pra retratar a minha realidade pequeno burguesinha seria “Meninos de All Star”, apesar da mão de obra que foi pra eu adquirir um desses, contra os protestos ideológicos do meu pai face essa forma de dominação americana.
Mas eu tive meus dias de Kichute ali no Setor Universitário e cercanias, roubando manga, jogando bola no asfalto e em campinho de terra, e brigando na rua com a turma de outro bairro. Não dá pra dizer que morro de saudades, até porque havia uma série de circunstâncias que me faziam desejar todos os dias me mudar dali, mas pelo menos o livro do Márcio Américo me fez lembrar do lado bom daquilo tudo, um passado que antecedeu esse presente onde somos “Homens de Sapato e Gravata”. Pelo bem geral de todos, alguns conseguiram não se transformar nisso, e escrevem livros bacanas como esse do Márcio Américo.
O pai e o “paiaço”…
Publicado; novembro 26, 2011 Filed under: Uncategorized 20 Comments »A discussão era sempre a mesma. Eu queria esse quadro, ele não queria me dar. Era o quadro favorito dele, e talvez por isso (ou muito em função disso), tornou-se o meu também. E sei que era muito injusto que no ocaso da sua vida, tendo lá uma existência bem fodida, eu quisesse lhe “tomar” aquele quadro, que, a despeito de seu modo franciscano de encarar a vida, havia sido preservado. Mas a minha intenção passava longe de tripudiar, e quando tentei explicar, vi que só sairia com esse quadro da casa dele por cima do cadáver dele…
- Pai, eu quero lembrar de você sempre que olhar pro quadro!
- Vai tomá bãin na soda, sô, que vai lembrar de mim vendo quadro de paiaço, os ôto vão pensar que eu era paiaço!
Gozado que quem lê assim, pensa que se tratava de alguém iletrado, mas morar em Goiás tem dessas coisas, a pessoa pode ser extremamente culta e ainda assim, falar como o Chico Bento. Mas em 19 de agosto de 2009, saí da casa humilde dele na Avenida B com o tal “quadro de palhaço”. Que hoje, oficialmente, foi pendurado na parede do meu novo local de trabalho. E sim, a sensação é de estar na companhia dele…
O que eu cheguei a achar que fosse ruim, em função de muitos quebra paus e escrotidão mútua em nosso relacionamento, mas já faz tempo que, no balanço de perdas e danos, já cheguei à simples conclusão que fomos péssimos um pro outro, mas ainda assim, eu fui um filho pior do que ele foi pai. Nada disso muda bosta nenhuma, mas acaba que eu fico olhando esse quadro e lembrando do Coroa, mas não das nossas brigas horrendas nem das vezes em que ele me acordava pra conversar e o assunto invariavelmente chegava em “você nunca vai ser nada na vida seu Bosta, porque na sua idade eu já era (aqui variava o que ele já era na idade em que rolava o fascinante discurso de Fidel)”. Juro, consigo não pensar nisso e até acho que existia um certo lirismo no fato dele me acordar 3 da manhã pra ver o ovo que acabara de fritar e tinha ficado perfeito, daí o assunto já descambava pra Nero Wolfe e a profecia com um “seu bosta” no meio…
Gosto de lembrar de algumas passagens dele em alguns momentos em que eu precisava tomar decisões:
–> Vestibular:
Eu não sabia pra que ia prestar. Sério, não tinha a menor ideia. E no 3 Ano do Objetivo, havia uma divisão entre Humanas, Exatas e Biológicas. Claro, eu tinha pavor de química e biologia, a decisão mais sensata era ir pra turma de Humanas, mas o meu pai, ainda detentor de direitos de propriedade sobre mim, falou que se eu quisesse fazer qualquer outra coisa que não fosse Biológicas, eu poderia buscar um colégio da rede pública, pois ele só pagaria escola pra mim, se eu fosse pra Biológicas. Pelo simples fato de ser mais difícil e eu ter que me esforçar mais.
–> Resumo de Livro:
Um dia, ele me perguntou o que era uma apostila que estava no meio dos meus cadernos, escrito “Resumo de Livro”. Eu expliquei e acho que nunca o vi tão enfurecido. Não comigo, mas contra o… sei lá, o “sistema”, na falta de termo melhor. Ele achava, com alguma razão, que esse tipo de coisa simplesmente faria com que uma geração que não lia quase nada, lesse menos ainda. E rasgou todos os meus “resumos”, até o de “Maíra”, livro insuportável do Darcy Ribeiro que eu nunca consegui ir além da página 50.
–> Universidade Católica:
O raciocínio dele era cartesiano: “Se eu passei na Federal, por que vou pagar faculdade pra você, que teve condições ainda melhores que as minhas de entrar lá”? E hoje, devo dizer que ele estava certo. Certíssimo! Tanto que pagou, com certa relutância e justificada ira, meus dois primeiros anos, com duas interrupções no período. Depois, quebrou de vez e eu corri atrás da minha melhora, trabalhando num sub emprego idiota pra pagar a faculdade, mas acho que se ele tinha algum problema de consciência com relação a mim, esse aí de não ter pago a minha faculdade não o afligia, tanto que nem na minha formatura apareceu.
–> Ocasiões “Gelol”:
Sabe aquele pai que vai nos eventos esportivos do filho? Então, meu pai foi em uma competição de natação minha. E falou: “Você é muito ruim, nunca vai ganhar nada”, e não apareceu mais. Em alguns outros esportes, eu não era tão ruim, mas não sofria com a ausência dele. É que existia a chance de eu ganhar, mas também havia a possibilidade de perder, e nesse caso, a opinião dele, com a contundência costumeira, não seria muito bem vinda.
–> Exame da OAB I:
Uma das grandes vantagens de estudar na Católica é que eles tinham lá um estágio que te dispensava do Exame de Ordem. Que também não era lá muito difícil, mas era uma prova… só que NO ANO EM QUE ME FORMEI, mudaram a porra da Lei. Passou a ser obrigatório. Uma galera aí tava com papo de Mandado de Segurança, alegando que não podia mudar isso porque quem já estava matriculado tinha direito adquirido e tals, meu pai simplesmente falou que eu ia fazer a prova e pronto. Gozado, ele já não pagava mais a minha faculdade, nem com ele eu morava mais, e ainda assim, desencanei do Mandado de Segurança…
–> Exame da OAB II:
A Segunda Fase do Exame de Ordem divide-se em temas. E era meio notório que Penal e, sobretudo, Trabalhista, eram os mais fáceis. No meu caso, até por ter a ver com o que eu estava estagiando, escolher Trabalhista era algo lógico, coerente, razoável e aceitável. Menos pelo meu pai. Que disse que se eu não escolhesse Cível (a mais difícil), ele iria pra sempre me achar um bosta. E aqui, a culpa não era dele! Nossa relação já era totalmente independente, eu poderia muito bem cagar e andar pra opinião dele – e na verdade, não estou bem certo se a opinião dele nesse sentido mudou alguma coisa em virtude de eu ter passado -, eu não teria grana pra outro exame se tomasse pau, mas fui lá e fiz a prova de Cível. Pra minha sorte, caiu “Apelação” e eu passei. E ele não foi lá na OAB na pomposa cerimônia de entrega da carteirinha…
Acho que no fim, essas coisas, dentre muitas outras, demonstram um monte de situações em que ele esteve ali, sendo pai. Do seu jeito meio becão de fazenda, mas ainda assim, um pai, como poucos tiveram. E aqui, nesse novo recomeço, nesse escritório maravilhoso cheio de muitas possibilidades, trabalhando com um grande bróder, sinto sua presença com esse quadro de frente pra mim, esse palhaço triste e muito bem pintado, esse retrato da nossa relação, que nunca foi das melhores, mas que hoje ainda faz muita falta.
Feliz cumpleaños, biejo!
Los Hermanos é Foda!
Publicado; novembro 24, 2011 Filed under: Uncategorized 5 Comments »Outro dia, me perguntaram se eu gosto de MPB. Olha só que arapuca, porque é de uma amplidão tamanha, que se você diz que gosta, amanhã a pessoa tá ouvindo Ana Carolina do seu lado e achando que você tá amarradão. Ou Marisa Monte, que é algo completamente obsoleto se você considerar que já existe a Elis Regina. Fico nessas duas, pois acho que todos os desdobramentos pseudo-descolados de cantoras nacionais de lá pra cá resultaram de aliementar uma dessas duas depois da meia noite.
Então eu prefiro dizer que não gosto de MPB, pois, ainda que não seja totalmente verdade, deixo de correr o risco de ouvir uma canção bonita, falando da vida em ré maior. E aí, quando a pessoa pergunta “mas você não gosta de NADA de MPB”?, eu posso responder que do Chico Buarque eu gosto.
- E do Caetano?
Antes que eu possa pensar em responder, já vejo o queixo tremendo e ouço nas profundezas do meu ser “eeeeeeta eta eta eta é a luz é o sol é o cu de tieta eta eta etaaaaa”. Pra nem entrar no mérito do índio que desce de uma estrela cólórida e brilhante, numa velocidade estonteante. Então, não gosto do Caetano. Nada? “O Quereres” é bem legal, “Sampa” é lindíssima, “Vaca Profana” é divertida, enfim, ele tem umas músicas bacanas, mas não gosto dele. Acho que o Caetano é a versão do meu pai para a MPB. Explico: meu pai teve amigos. Não muitos, não por muito tempo. Com o tempo, eles foram ficando pelo caminho e eu duvido que alguém achasse meu pai um cara LEGAL. Ou bacana. Agradável. Mas fazia um cassoulet do caralho, uma bacalhoada inacreditável, uma feijoada divina, uma rabada indescritível, uma língua ao molho madeira… enfim! Acho que se alguém perguntasse “Você gosta do Randall”, provavelmente a resposta seria algo como:
- Faz um cassoulet do caralho!
Dito isso, penso em adquirir o quanto antes pendores culinários, mas que fique claro, MPB é uma bosta, salva o Chico. Nem venha me falar em Gil querendo juntar via internet, um bando de tietes de conéquiticáti.
Mas pior ainda que MPB, é Los Hermanos. Porque assim, quem me conhece, sabe o quanto eu gostei dessa banda, principalmente no segundo e terceiro discos, mas não me faço de rogado e assumo que acho “Anna Julia” uma música bem bacana. Só que não consigo assumir, HOJE, que gosto de Los Hermanos. E na verdade, odeio Los Hermanos, dentre outras coisas, por me fazer concordar com o Chorão, que é, sem a menor sombra de dúvida, um dos 5 caras mais babacas do mundo. Só que aí vai o Chorão, enfia a mão na cara do Camelo e eu acho que fez o certo. Independente do motivo!
Tergiverso: o André, parceiro do Malvadezas, diz que mede o quanto odeia uma banda/música se, ao ver o clipe, sente vontade de dar porrada nos caras. E, ao ver o clipe da Banda Mais Bonita da Cidade, sentiu vontade de entrar com uma motosserra naquela casa! Então, eu acho que se tem um cara feito pra tomar murro na cara, é o Marcelo Camelo! O cara cantou com a Sandy e com a Ivete Sangalo! Justificou que cantou com a Sandy porque não comia palmito porque nunca tinha comido e quando comeu, descobriu que gosta de palmito! É SÉRIO! Se um cara desses não tem que passar por um open bar de murro na cara, quem deve?
Se você gosta de Los Hermanos, você canta “Sentimental” de olhos fechados. Não adianta você dizer que gosta de Los Hermanos, porém, tá com as prestações do senso do ridículo em dia e ele não foi cortado, é dizer isso e a pessoa achar que você canta “Sentimental” de olhos fechados, sentindo a música. Foi o que me disse um amigo, fã da Star Trek, ao ir numa convenção e ver as pessoas usando roupinha do Capitão Kirk e Orelha do Spock. Ele, no caso, não usava. Mas tinha certeza que ao falar pras pessoas que tinha ido na convenção, elas o imaginavam usando esse adereço.
Por isso, não uso as Orelhas do Spock pelo Los Hermanos, prefiro enfiar a mão na cara do Camelo! Ainda que isso me faça parecer um fã do Charlie Brown…

